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Candidatos a prefeito de capitais que apoiam Bolsonaro começam mal

O candidato Celso Russomano (Republicanos) durante sua chegada ao primeiro debate eleitoral para a prefeitura de São Paulo –Kaio Lakaio/VEJA

A segunda rodada de pesquisas Datafolha sobre intenção de voto para prefeito em quatro das 10 capitais mais populosas do país só trouxe más notícias para o presidente Jair Bolsonaro. Candidatos apoiados por ele, ou que poderão vir a ser, ou que simplesmente invocam seu apoio inspiram preocupação.

O deputado federal Celso Russomanno, em São Paulo, não só caiu dois pontos percentuais como sua rejeição aumentou oito pontos. Ainda lidera, com 27% das intenções de voto, contra 21% de Bruno Covas (PSDB), o atual prefeito. Mas o grupo de eleitores que disse não votar nele de jeito nenhum saltou de 21% para 29%.

Essa parece ser a sina de Russomano sempre que disputa uma eleição majoritária. Costuma sair na frente, mas começa a cair, a cair até ser ultrapassado e ficar fora do segundo turno. A história poderá repetir-se. Covas manteve-se estável. Guilherme Boulos, do PSOL, demarcou-se de Márcio França (PSB). É o terceiro colocado.

O eleitorado de esquerda na capital paulista dá sinais de que prefere Boulos (12%) a Jilmar Tatto, do PT, um dos lanterninhas da pesquisa com 1%. Boulos é o candidato que tem atraído mais novos seguidores nas redes sociais. Ali, ele tem procurado compensar seu pouco tempo de propaganda na televisão.

Um em cada quatro eleitores paulistanos tem por hábito só decidir em quem votar na última semana de campanha. E no rádio e na televisão, a campanha só começará hoje. Quanto mais ela for renhida ou polarizada, menor será o número de eleitores dispostos a se abster ou a votar nulo e em branco.

O Rio é o berço político de Bolsonaro e de dois dos seus filhos – Flávio, senador, o Zero Um, e Carlos, vereador, o Zero Dois. Carlos é candidato à reeleição, e sua mãe tenta se eleger vereadora pela terceira vez. Na segunda vez que tentou, foi derrotada por Carlos, lançado candidato pelo pai com esse objetivo.

Marcelo Crivella (Republicanos), prefeito do Rio, luta para obter o apoio oficial de Bolsonaro, mas está ladeira abaixo. Eduardo Paes (DEM), ex-prefeito, tem mais que o dobro do índice de intenção de votos dele (30%). E a rejeição de Crivella disparou para 59%. Ele só lidera entre os eleitores evangélicos.

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Quem corre por fora e pode atropelar Crivella é a delegada Martha Rocha (PDT), tecnicamente empatada com ele. Tem 10% das intenções de voto, contra 8% de Benedita Silva (PT).  Bolsonaro corre o risco de não ter a quem apoiar no segundo turno, salvo se algum azarão surpreender na reta final.

Jamais se viu um candidato com 59% de rejeição ser eleito. Como jamais se viu ser derrotado um candidato com 56% das intenções de voto – cerca de 70% dos votos válidos, descontados os nulos e brancos. É o que tem Alexandre Kalil (PSD), prefeito de Belo Horizonte, que deverá se reeleger no primeiro turno.

O que parece explicar o fenômeno é o desempenho de Kalil no combate à pandemia. Adotou as medidas mais radicais de isolamento e não arredou pé delas. Cunhou uma frase que virou seu slogan de campanha: “Não trocaria uma só vida por um milhão de votos”. O mineiro da capital aprovou. Nada o ameaça.

A eleição para prefeito do Recife é considerada uma eleição aberta. assunto. Esquerda e direita estão divididas. A esquerda, por dois primos, netos de Miguel Arraes, três vezes governador de Pernambuco. A direita, por um ex-ministro da Saúde do presidente Michel Temer e uma delegada de polícia carioca.

O deputado federal João Campos (PSB), filho do ex-governador Eduardo Campos, tem 26% das intenções de voto, contra Marília Arraes (PT), com 17%. Mendonça Filho (DEM), 16%. Logo atrás, a delegada Patrícia Domingos (Podemos), pela primeira vez candidata a um cargo eletivo, com 10%.

O governador Paulo Câmara e o prefeito do Recife, Geraldo Júlio, ambos do PSB, ainda não conseguiram transferir seu grau de aprovação para Campos. Quando a máquina do governo e da prefeitura for acionada para valer, Campos deverá crescer mais. O PSB tem 8 mil candidatos a vereador, o PT algo como 100.

Mendonça tem fama de ser o Russomanno de Pernambuco – arranca bem e depois cai. Ainda espera que Bolsonaro declare seu apoio. Enquanto isso propagandeia: “Mendonça é Bolsonaro, Bolsonaro é Mendonça”. Recife é uma das poucas capitais do Nordeste onde Bolsonaro venceu Haddad no primeiro turno.

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