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Resta saber se o Senado passará o pano em Chico da Cueca

O dinheiro encontrado dentro da cueca e entre as nádegas do senador Chico Rodrigues (DEM-RO) pode ajudar a corrigir a leitura possivelmente equivocada de que o Centrão aderiu ao governo do presidente Jair Bolsonaro. Não terá sido o contrário?

Desde que existe, e que ganhou esse nome durante a Assembleia Constituinte de 1988, o Centrão sempre esteve à disposição de qualquer presidente. Há governo que precise de sua ajuda e que, em troca, lhe ofereça nacos do poder? O Centrão será a favor.

Governo social democrata como o de Fernando Henrique Cardoso? Taokey, vamos nessa. Governos mais à esquerda como os de Lula e Dilma? O Centrão não discrimina. Governo de centro-direita como o de Michel Temer? É com esse que vou. Quanta saudade!

Foi Bolsonaro, nascido no berço do Centrão, passageiro de seis ou sete partidos do Centrão enquanto foi deputado federal, que deu as costas à sua turma para se eleger presidente e poder surfar na onda da Lava Jato. Não foi o Centrão que o abandonou.

Quem cantou: “Se gritar chama Centrão, não fica um meu irmão, se gritar chamar Centrão?” Foi o general Augusto Heleno, atual ministro do Gabinete de Segurança Institucional, na convenção do PSL que em 2018 lançou Bolsonaro candidato.

Quem hostilizou os políticos, e os do Centrão em particular, dizendo que organizaria seu governo com base apenas em critérios técnicos? Que poderia até levar em conta indicações feitas por bancadas temáticas, mas jamais por partidos? Foi Bolsonaro.

Ele fora eleito, afinal, para destruir o sistema – cansou de repetir, a primeira vez em viagem aos Estados Unidos, e em convescote na embaixada do Brasil em Washington, ao lado do autoproclamado filósofo Olavo de Carvalho, seu guru e dos seus filhos.

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Steve Bannon, estrategista da campanha de Donald Trump em 2014, gostou do que ouviu sentado do outro lado de Bolsonaro. Trump deu um pé na bunda de Bannon depois de eleito. Recentemente, Bannon foi preso e pagou fiança para ser solto.

Desde então os Bolsonaro nunca mais falaram dele. Também deixaram de falar de Olavo, apertado com dívidas, a mendigar nas redes sociais e a chantagear quem possa. O Centrão sempre esteve na sua, como de hábito discreto, sabendo esperar.

Finalmente, Bolsonaro bateu à sua porta, depois de ter tentado, sem sucesso, arrombar a porta do Supremo Tribunal a ponta pés. O namoro foi à sombra para que demorasse a ser descoberto. O casamento se deu com plena comunhão de bens – votos e cargos.

Não será um senador desastrado e amador como esse da cueca suja que porá em risco a união do Centrão com Bolsonaro. Antes de ser de corpo e alma um nome do Centrão, Chico da Cueca já era um bolsonarista de raiz, e pau para toda obra.

O presidente escolheu-o para relator no Senado da mensagem de indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixador do Brasil nos Estados Unidos. A pedido do presidente, Chico empregou no seu gabinete o primo mais próximo de Carlos Bolsonaro, o vereador.

Ninguém pediu, ninguém recomendou ao presidente que nomeasse Chico vice-líder do governo. A ideia foi de Bolsonaro para retribuir-lhe os serviços prestados. Chico é um dos campeões de liberação de emendas parlamentares ao Orçamento da União.

Resta saber se Bolsonaro tentará salvar o mandato do amigo, e se o Senado amargará a vergonha de passar o pano onde não deveria.

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