22 C
Rio de Janeiro
Home Rio de Janeiro Primeiro dia de volta às aulas presenciais na rede estadual do RJ...

Primeiro dia de volta às aulas presenciais na rede estadual do RJ tem adesão de 5% dos alunos, diz secretaria

Somente 16 municípios do estado aderiram à volta às aulas nesta segunda-feira. Uma escola do Méier, na Zona Norte, por exemplo, contou com apenas 19 alunos nos dois períodos de aulas. Alunos do terceiro ano da rede estadual ensaiaram um retorno às salas de aula.
Segundo a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro, apenas 5% dos alunos da rede estadual de ensino voltaram às aulas presenciais nesta segunda-feira (19), primeiro dia da retomada das atividades. A liberação atendia apenas os alunos do 3º ano do ensino médio, que completaram sete meses afastados de suas escolas por conta da Covid-19.
A autorização para o retorno foi anunciada no início de outubro, quando o governador em exercício Cláudio Castro comunicou a volta às aulas presenciais para 126 mil alunos inscritos nessa série. Na ocasião, ficou definido também que os estudantes dos demais anos letivos da rede só teriam a opção de aula presencial em 2021.
A prioridade é atender os alunos que vão fazer as provas do Enem. Serão cerca de 35 dias letivos — com possibilidade de aulas aos sábados — até a data da primeira prova, em 17 de janeiro.
Para o secretário de educação do estado, Comte Bittencourt, a medida tenta minimizar os prejuízos causados pela pandemia.
“A corrente estoura do lado mais fraco, socialmente mais fraco. Nós estamos tentando minimizar o prejuízo desses meninos. Ano que vem, já estamos trabalhando com a hipótese da volta desses meninos pro terceiro ano para refazer o objetivo. Essa oportunidade será dada”, comentou o secretário.
Escolas adaptadas
Segundo Comte Bittencourt, todas as escolas da rede receberam recursos para a adaptação dos protocolos sanitários. Ele disse que foram criadas condições para o transporte e alimentação dos alunos.
“Nós liberamos o vale transporte, todos liberados nesses 15 dias. Quem não tem cartão, deve entrar em contato com a escola. Merenda fria para a escola se reprogramar para a merenda quente. Vamos continuar com o kit alimentação, servir merenda fria e depois voltar merenda quente”, explicou o secretário.
A secretaria entende que essa primeira semana de retomada será de adaptação e acolhimento. A ideia é avaliar a adesão dos alunos três vezes por dia e assim entender o que será preciso mudar.
Um exemplo da baixa adesão ocorreu em uma escola no Méier, na Zona Norte do Rio, onde apenas 19 alunos apareceram nos dois períodos de aulas. Em todo o estado, somente 16 municípios aderiram à volta às aulas nesta segunda-feira.
Aulas online
Segundo a Secretaria de Educação do Estado, a modalidade de ensino remoto seguirá sendo oferecida para os alunos do último ano que preferirem ficar em casa.
A opção também vale para funcionários e professores que poderão escolher se voltam ou continuam com o trabalho remoto.
Os servidores que fazem parte do grupo de risco – maiores de 65 anos ou com problemas de saúde – precisaram preencher um documento de auto-declaração, mas também ficarão em casa. Ao todo, 8.611 profissionais disseram fazer parte do grupo de risco.
Os profissionais da educação também receberam uma circular informando que a testagem não é um pré-requisito para o retorno, exceto para quem apresentar sintomas da Covid-19.
Embate sobre volta às aulas
Nesta segunda-feira, apenas alunos do 3º ano do ensino médio e do Ensino de Jovens e Adultos (EJA) puderam voltar a ter atividades presenciais. Mas a retomada gradativa ainda provoca desentendimentos entre sindicatos, pais de alunos e gestores.
O Sindicato dos Profissionais do Ensino (Sepe) acha que esse retorno representa um risco de nova proliferação do coronavírus.
“Temos um governo que não foi capaz de pensar na educação para estudantes das escolas públicas, das diferentes realidades e dos territórios do estado do Rio de Janeiro. Não vai ser agora que vai acontecer um milagre. O Enem é extremamente importante, mas ele deveria ter sido cancelado ou adiado para uma data possível de todos realizarem”, comentou Dione Lins, coordenadora-geral do Sepe.
“Abrir a escola hoje, significa aumentar o número de pessoas, de carros, ônibus nas ruas e, consequentemente, o aumento da contaminação. Precisamos ter alternativas”, disse a representante do sindicato.
Na opinião da pneumologista Margareth Dalcomo, da Fiocruz, a rede pública deveria se preparar com muito cuidado para essa reabertura.
“Uma vez mais a questão da desigualdade social vai se colocar com a abertura das escolas estaduais. Nós sabemos que as escolas privadas, muitas, se adaptaram, cumpriram protocolos para essas reaberturas, reorganizaram seus espaços, diminuíram o tamanho das turmas, e, sobretudo, testaram, estão testando seus funcionários, como é a recomendação mais fundamental nesse momento. As escolas estaduais, para que pudessem reabrir, e aqui quero dizer o quanto nós reconhecemos o quanto é importante a volta às aulas para a normalidade dessas crianças todas, no entanto, temo que de novo a questão da reabertura represente uma desigualdade nesses procedimentos todos entre as escolas privadas e públicas”, comentou Dalcomo.

- Advertisement -