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Relatório aponta problemas de manutenção em postos de saúde e clínicas da família no Rio

Ofício escrito pelo subsecretário de atenção primária, Leonardo El Warrak, aponta que unidades básicas diversas áreas da cidade ficaram sem manutenção por falta de contrato. Ofícios da prefeitura apontam piora nos serviços básicos de saúde
Um relatório escrito pelo subsecretário de Atenção Primária do Rio, Leonardo El Warrak, e entregue ao Ministério Público revelou diversos problemas de manutenção em postos de saúde e clínicas da família do Rio.
No documento, ele relatou que, por falta de contrato, unidades básicas de cinco áreas programáticas da cidade ficaram sem manutenção. Entre elas está o centro municipal de saúde na Pavuna, na Zona Norte do Rio.
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Nos ofícios enviados à Promotoria de Justiça, El Warrak mostrou e-mails com a administração do posto, que solicitou em caráter emergencial a manutenção da rede elétrica da unidade. De acordo com o setor, portas, fechaduras e bebedouros foram energizados e profissionais já levaram choque.
No local, é possível ver fios soltos e remendos em aparelhos de ar-condicionado. Na área onde os pacientes esperam para realizar exames, há móveis quebrados e entulho acumulado.
No mesmo bairro, a Clínica da Família Epitácio Soares Reis também sofre com a falta de manutenção predial. Equipamentos que são importantes para diagnósticos estão quebrados desde o início do ano passado. Funcionários contaram que o serviço de ultrassonografia foi suspenso e que não há profissionais para fazer os exames de raio-x.
“Não está funcionando porque a prefeitura parou de pagar e o serviço foi suspenso”, disse um funcionário.
Em uma outra clínica da Pavuna, os problemas estão visíveis até no piso, que está se soltando. A sala de raio x não funciona porque, segundo funcionários, o aparelho está quebrado há meses e não foi consertado. Na unidade, o local onde deveria ser realizada ultrassonografia serve apenas para consultas. A clínica odontológica funciona, mas profissionais afirmam que não há seladora nem autoclave para a esterilização do material.
“Antes levávamos lá para Epitácio, só que o de lá também quebrou, ou seja, estamos trabalhando no amor, não tem material, não tem papel toalha, não tem nada, então fica meio que complicado mesmo”, afirmou um funcionário.
A RioSaúde, responsável por 142 clínicas e centros municipais de saúde, administra, apenas nesta região da Zona Norte, 33 unidades. A empresa assumiu, primeiramente, no fim do ano passado, a área de atenção primária em Campo Grande, Guaratiba, Realengo e Bangu, na Zona Oeste. Neste ano, ela passou a fazer a administração de unidades da Zona Sul e Zona Norte também.
No relatório enviado ao Ministério Público, o subsecretário, que é responsável por fiscalizar os contratos, disse que nas áreas de planejamento sob gestão da RioSaúde “evidencia-se, do ponto de vista assistencial, um quadro alarmante” que pode ocasionar “piora nos níveis de saúde da população tornando as unidade inócuas”, ou seja, ineficazes.
El Warrak afirmou ainda que a empresa recebeu R$ 46 milhões para custeio de serviços e compras de insumos, porém não prestou contas à prefeitura. O Ministério Público cobrou explicações da RioSaúde e do município.
Além da Zona Norte, na Zona Oeste clínicas e centros de saúde também enfrentam problemas com estruturas e falta de profissionais. Em Cosmos, uma unidade sofre sem médicos. A RioSaúde substitiu organizações sociais (OS), mas não conseguiu contratar equipes para todas as unidades.
“Nós não temos médicos na unidade já faz tempo”, disse um funcionario.
O que diz a RioSaúde
Apesar de a RioSaúde administrar essas unidades básicas há quase um ano, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que esses problemas estruturais são herança de uma má gestão das organizações sociais. De acordo com a secretaria, as clínicas têm um custo menor e controle maior dos gastos com a empresa pública.
A RioSaúde afirmou que mantém contrato com empresas de manutenção predial e que no último investiu R$ 200 mil em reparos. A prefeitura disse também que comprou novos equipamentos de raio-x e ultrassonografia para as unidades.
A empresa pública disse que todas as unidades sob sua gestão têm médicos e que há um processo para contratar mais profissionais. A RioSaúde afirmou ainda que prestou contas para as secretarias de Saúde e Fazenda.
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