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Traficantes e milicianos cortam internet de moradores no RJ para cobrar pelo serviço

Documento do Disque-Denúncia aponta 16 empresas ligadas ao crime organizado no Rio e na Região Metropolitana do estado. Polícia diz que está combatendo ações. Criminosos destroem serviços de internet em toda a Região Metropolitana
Traficantes e milicianos estão interrompendo o serviço de internet de moradores e assumindo o controle da distribuição de sinal em várias regiões do Rio de Janeiro.
Como mostrou o RJ2 nesta terça-feira (20), primeiro, os criminosos cortam os cabos e, depois, o sinal some. Em seguida, aparecem empresas desconhecidas que oferecem um sinal de baixa qualidade.
“O dono dessa internet que tá aqui, agora, é da milícia! Eles [os milicianos] tiraram as outras que estavam aqui dentro. Tinha outras operadoras aqui dentro. Tudo legalizado, direitinho, e eles tiraram o cara porque eles queriam que os “cara” pagassem R$ 32 mil por mês pra eles ficarem aqui”, denunciou um morador que pediu para não ser identificado.
Segundo o relato, as empresas que prestavam o serviço legalizado não aceitaram a tentativa de extorsão, e então foram expulsas pelos criminosos. Além disso, o morador contou que o sinal clandestino é de pior qualidade.
“Agora, eles cortam os cabos e a gente fica sem internet. Faz uma pressão pra tu comprar deles. E a deles você não fica sem internet. Interessante, né? Aí, você contrata 200 mega, e aí só chega 50”, reclamou o morador.
16 empresas ligadas ao crime
Um relatório do Disque Denúncia obtido pelo RJ2 mostra que 16 empresas fornecedoras de internet são suspeitas de serem ligadas ao crime organizado.
Aparentemente, as companhias são constituídas como empresas formais. O problema é que , de acordo com o documento, funcionam como mais uma fonte de renda para os bandidos.
De acordo com as informações, foram identificadas seis empresas ligadas à milícia. Elas ficam na Zona Oeste e na Baixada Fluminense. Nove delas seriam associadas ao tráfico na Baixada, no Centro, na Zona Norte, na Região dos Lagos e em São Gonçalo – o segundo maior município do estado.
Uma empresa na Ilha do Governador, na Zona Norte, aparece como negócio de narcomilícias – grupos formados por traficantes e milicianos unidos para explorar territórios.
“Essas empresas são empresas pra lavar dinheiro. Todas elas são empresas de lavar dinheiro. Algumas delas nós temos denúncias que têm propriedades de imóveis, terrenos e outras coisas dos traficantes e dos milicianos, e que normalmente recebem uma percentagem maior do que dizem”, afirmou o coordenador Disque Denúncia, Zeca Borges.
Enquanto traficantes e milicianos expandem seus domínios sobre a cidade e disseminam medo, a população diz que não tem a quem recorrer.
“Aqui, a gente não tem como fazer nada. A gente não tem como fazer reclamação em delegacia, em batalhão, porque a gente não vê polícia aqui dentro atrás deles, entendeu? Eles ficam à vontade aqui, armados. Ninguém faz nada”, denunciou o morador.
A Polícia Civil informou que a força-tarefa de combate às milícias vem atuando com inteligência, investigação e ação para combater a atuação das organizações criminosas.

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