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Marinheiro ‘pesca’ garrafas diariamente no mar próximo à Mureta da Urca


Frequentadores dos bares do bairro descartam lixo no local, que é um dos cartões-postais do Rio. ‘Pescador’ conta que já viu até TV e sofá no mar. Um vizinho da Mureta da Urca decidiu se tornar um gari comunitário. Incomodado com o descarte de lixo pelos frequentadores dos bares do bairro, Giovani Soares decidiu limpar todos os dias o entorno do “point”. Só que o seu trabalho é no mar.
Giovani é marinheiro há 20 anos e usa o barco onde mora — atracado próximo à mureta — para “pescar” o lixo, sobretudo garrafas de cerveja jogadas na Enseada de Botafogo pelos clientes.
Mas não são só os cascos que surgem das redes.
“Eu já vi de tudo. Já vi sofá, televisão, enfim, tudo o que você pode imaginar eu já vi aqui dentro”, contou o marinheiro.
A Mureta da Urca é um famoso reduto da boemia na Zona Sul da cidade.
Marinheiro conta que pesca garrafa diariamente próximo à mureta da Urca
Reprodução / TV Globo
Com a ajuda do seu funcionário, Jardel, em duas semanas recolheu uma sacola grande de tampinhas plásticas somente na Praia da Urca.
“A garrafa não nasce no mar. E como eu vivo aqui há muito tempo, acho que é uma obrigação eu retirar as latinhas, as garrafas, esses plásticos… porque é onde que eu vivo, o local que eu tiro meu trabalho no dia a dia, né? E o que eu vejo é que fazem aqui uma covardia sem tamanho”, enfatizou o marinheiro.
‘Toneladas de lixo’
Dona Yone trabalha na Urca há 30 anos e conta que sempre viu esse desrespeito.
“Tem pessoas até que passam, morador, catando, recolhendo lixo. Mas o povo que vem realmente não tem aquele senso de levar seu lixinho. Isso aqui fica com toneladas de lixo, toneladas. E não é pessoal da Urca”, disse Yone.
Quem polui tem sempre uma desculpa a dar. “Por que que eu deixei a lata de cerveja lá? Porque a lata de cerveja não é um lixo poluente, até porque rapidamente vai passar alguém para recolher”, disse um homem ao ser flagrado.
O ambientalista Ed Bastos faz um trabalho de preservação na Baía de Guanabara. Ele conta que há 10 anos colocou uma anêmona em uma estátua que já estava no fundo do mar na Urca. Ele comemora que até hoje ela esteja lá.
“Ter esse animal com a gente, de vida selvagem, a hora que ele foi embora, foi embora, mas ele escolheu viver ali e a gente utiliza como ferramenta de sensibilização, mostrando para as pessoas que o lixo, quando cai no mar, vira casa e a gente precisa ter muito cuidado com a remoção dele. Precisa remover, mas precisa ter critério pra remover porque esses animais não podem pagar com a vida e nossos erros”, disse o ambientalista.
Ed reforçou que a poluição marítima gera apenas prejuízo, para todos.
“Lixo no mar a gente chama de perde-perde. Perde quando joga, porque perde recurso, e perde quando tira, porque perde vidas”, ressaltou.
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