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Polícia vai ouvir testemunhas sobre morte de jovem de 16 anos em UPA pediátrica em Duque de Caxias; pais apontam omissão

Família de Robson de Melo, de 16 anos, registrou o caso como omissão de socorro. OAB-RJ está acompanhando e pode buscar o Ministério Público para responsabilizar pessoas pela morte do jovem. Polícia deve ouvir testemunhas de UPA de Duque de Caxias onde rapaz de 16 anos morreu
A polícia vai ouvir funcionários da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde um adolescente de 16 anos morreu nesta segunda-feira (19). A mãe da vítima afirma que implorou por socorro, mas a ajuda só veio quando o jovem já não respirava mais.
O enterro do corpo de Robson Albuquerque Pantaleão de Melo estava marcado para a manhã desta quarta-feira (21), em Paciência, na Zona Oeste do Rio.
Segundo a mãe de Robson, Patrícia Albuquerque, funcionários da UPA Pediátrica não socorreram seu filho — com falta de ar por causa de uma grave crise de asma — por ele já ter 16 anos. A família registrou a ocorrência na polícia como omissão de socorro.
“Não houve socorro por parte do hospital. Em todo momento eu gritei, tinha pessoas falando: ‘Gente, é uma criança.’ Eu gritei que ele não estava respirando, e ninguém ajudou”, narrou Patrícia.
“Um funcionário da UPA gritou: ‘Estou recebendo ordem do meu coordenador, não atendemos [pacientes de] 16 anos.’ Eles só tiraram o menino de dentro do carro depois que ele já tinha falecido. Nós não temos voz, ninguém ajuda a gente”, disse a mãe.
O pai, Robson Pantaleão de Melo, disse que o filho não recebeu atendimento porque era negro.
“É uma falta de respeito com o ser humano. Era negro. Se a minha esposa fosse uma loura, eles teriam socorrido. Mas não, era negro. Fizeram isso com meu filho, cara”, disse o pai.
Uma testemunha, Erica Cristina do Vale, que aguardava atendimento para o filho de 1 ano e 7 meses, confirmou a versão de Patrícia.
“Mentira, mentira, eles estão negando porque eles não fizeram nada disso. Eu vi. Muita mãe ficou apavorada. O porteiro perguntou quantos anos o menino tinha, e ela falou ‘16 anos’. Ele falou para a mãe do menino que não poderia ter assistência médica para ele naquele local. Meia hora que o carro ficou do lado de fora”, contou.
OAB apura o caso
O caso do jovem Robson chamou a atenção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ). O presidente da Comissão de Direitos Humanos, Álvaro Quintão, disse que também está apurando o que ocorreu na UPA de Caxias.
“Os depoimentos a que a gente já teve acesso, tanto dos parentes quanto de algumas testemunhas, apontam para uma omissão de socorro. A UPA, com base no coordenador, teria determinado que jovens e crianças de 16 anos não fossem atendidos”, disse Quintão.
A OAB pode buscar o Ministério Público para responsabilizar pessoas pela morte do Robson.
“É inadmissível, independentemente de 13, 13, 15 ou 16 anos que uma UPA, uma unidade pública de saúde, se recuse a atender alguém que chegue com insuficiência respiratória”, disse Quintão.
Família diz que jovem morreu na porta de UPA sem atendimento
O que dizem as autoridades
A Secretaria Municipal de Saúde de Caxias disse que desconhece as informações relatadas pela família e afirmou que a mãe do Robson chegou à UPA pedindo uma maca e que, enquanto um supervisor foi buscar o equipamento, um enfermeiro e dois médicos foram até o carro e constataram que o adolescente já não tinha reação.
Ainda segundo a secretaria, mesmo assim o garoto foi levado para dentro da UPA, e a equipe de emergência usou os recursos disponíveis sem sucesso, confirmando a morte.
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