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Professor da UFRJ pagava 'mensalidade' a operários de pedreiras para desviar fósseis da Chapada do Araripe, diz PF no Ceará


Três pessoas foram presas em flagrante com fósseis em Santana do Cariri e Nova Olinda. Entre os investigados, está um professor da UFRJ Veja alguns dos fósseis apreendidos em operação da Polícia Federal
Um professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, investigado na Operação Santana Raptor, que apura o tráfico de fósseis na Região da Chapada do Araripe, sul do Ceará, pagava mensalmente a operários de pedreiras para obter fósseis da região ilegalmente. A informação foi repassada pelo delegado da Polícia Federal, Alan Robson Alexandrino Ramos, que participou, na manhã desta quinta-feira (22), de operação que prendeu três pessoas por tráfico de fósseis.
“É um professor de ponta de estudo científico em torno dos fósseis. Os ‘peixeiros’ e os atravessadores tinham um contato constante com o professor, e o professor financiava mensalmente alguns investigados. Para que a pessoa que está aqui, quando achasse algum fóssil, o procedimento correto é contatar a Agência Nacional de Mineração de que houve um achado fóssil. Ao invés de fazer isso, o ‘peixeiro’ ou trabalhador das minhas era cooptado por esse professor para destinar o fóssil a ele através de pagamento”, afirma o delegado. A PF não divulgou o nome do professor.
Além das mensalidades, os investigados recebiam pagamento pelas peças encontradas. “Hoje, um dos investigados confirmou isso, que recebia em dinheiro valores desse professor e havia o pagamento por peça”, disse Alan Robson.
PF cumpre mandados no CE e no RJ em operação de combate ao tráfico de fósseis na Chapada do Araripe
Nesta quinta, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, sendo 17 no Ceará e 2 no Rio de Janeiro. Os mandados de busca e apreensão cumpridos no Rio foi realizado no gabinete e na casa do professor universitário. Conforme a polícia, nos locais foram encontrados materiais fósseis, que vão ser avaliado por peritos. “Estamos apurando se esse material encontrado no local é legal ou oriundo de contrabando”, disse o delegado. O esquema é investigados desde 2015.
As três presos foram flagrados com fósseis em Santana do Cariri e Nova Olinda. Investigações do Ministério Público Federal do Ceará (MPF) apontam que um dos presos é um dos principais negociadores de fósseis no período investigado e outro é responsável por receber valores do professor e pesquisador do RJ para coleta e guarda desse tipo de material.
Os detidos foram encaminhados ao Sistema Penitenciário e estão à disposição da Polícia Federal. Já o material apreendido será analisado por peritos.
Investigação
Fósseis apreendidos pela PF em operação contra o tráfico no Ceará
Divulgação/PF
Investigações do Ministério Público Federal do Ceará (MPF) apontam que o esquema consiste na extração e comercialização ilegal de fósseis por trabalhadores de pedreiras nos municípios de Nova Olinda e Santana do Cariri. Um deles estaria entre os principais negociadores de fósseis, e o segundo seria o responsável por receber valores do professor da UFRJ para coletar e guardar os fósseis. Fósseis são bens da União e integram o patrimônio cultural e natural brasileiro.
O trabalho, coordenado pelo procurador da República em Juazeiro do Norte, Rafael Ribeiro Rayol, teve início após o Ministério Público Federal ser comunicado sobre a comercialização ilegal de fósseis. “Estamos em torno de quatro a cinco anos fazendo essa investigação que começou através da comunicação de uma pessoa que informou que estava ocorrendo essa comercialização de fósseis na região.
Durante esse período, segundo Rayol, foram apreendidos dois fósseis de pterossauro, considerado raro por ser específico da região. “Aqui no Brasil eles são vendidos por um preço bem inferior. Já na Europa, eles valem milhares de euros. Inclusive, descobrimos [em operação anterior] um fóssil de pterossauro que estava sendo oferecido na França por 150 mil dólares”, afirmou o procurador.
Investigações do MPF pontam que os fósseis da Região da Chapada do Araripe eram comercializados no Brasil e na França, Holanda, Japão, Itália, entre outros.
Conforme o procurador, desde de 2015 foram feitas três ações de combate ao tráfico de fósseis, uma delas resultou na descoberta de um lote de 46 fósseis de pterossauros e outros animais que habitaram o território brasileiro há mais de 100 milhões de anos e que foram levados de forma ilegal para a França. O material apreendido está em processo de repatriação para retornar ao Brasil.
Fósseis apreendidos pela Polícia Federal em operação contra o tráfico eram retirados ilegalmente, no Sul do Ceará
Divulgação/PF
As investigações do MPF apontaram a atuação de uma rede de empresários, servidores públicos e atravessadores que negociam fósseis raros da região, com indícios da prática ilícita por parte do professor da UFRJ e de outros pesquisadores nacionais e estrangeiros.
Caso os crimes sejam comprovados, os investigados vão responder pelos crimes de organização criminosa, usurpação de bem da União e crimes ambientais, e podem ser condenados a penas de até 16 anos de prisão.
A Operação Santana Raptor foi batizada com este nome em referência ao gênero de dinossauro encontrado na região da Chapada do Araripe, onde são encontradas riquezas fossilificas de 110 milhões de anos.
A Polícia Federal ressalta que, em razão da situação de pandemia da Covid-19, foi planejada uma logística especial de prevenção ao contágio, com distribuição de EPIs a todos os envolvidos na missão, a fim de preservar a saúde dos policiais, testemunhas, investigados e seus familiares.
Fósseis apreendidos pela PF em operação contra o tráfico na Chapada do Araripe, Sul do Ceará
Reprodução/PF

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