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Conheça as histórias de algumas das 20 mil famílias do RJ que enfrentaram mortes pela Covid-19


Se o RJ fosse um país, estaria em 14º no ranking de mortes, à frente da África do Sul, por exemplo, que tem uma população quase quatro vezes maior. Mortes por Covid-19 no estado do Rio superam as de países inteiros
O Rio de Janeiro chegou nesta sexta-feira (23) ao registro de 20.155 mortes em decorrência da Covid-19. Por trás dos números, há histórias de saudade e sobretudo de amor — que a pandemia levou.
Como a de Nice Pinheiro, que perdeu um companheiro de quase 60 anos de união. Ela se apaixonou pelo Seu Justino quando tinha 14 anos.
“Justino nos deixou aos 79 anos, gozando de boa saúde, inacreditavelmente, pela Covid-19. Inteligente e estudioso, eu o admirava tanto por isso. Adorava o que fazia. E ele ainda ensinava e ainda trabalhava em projetos de ar-condicionado na empresa que ele mesmo criou”, contou.
Justino e Nice foram casados por quase 60 anos; a Covid-19 o levou
Reprodução
Vítima da Covid-19, Dona Eugênia era uma espécie de Mamãe Noel de Rio das Ostras. Há 20 anos ela dedicava parte do tempo para divertir crianças da cidade — a quem distribuía presentes.
Agora, a família dela vai levar o programa adiante.
“Vamos continuar para que o nome dela não seja esquecido. E para que sempre possamos lembrar dela com muito amor”, disse Silvanira Oliveira da Silva, cunhada de Eugênia.
Seu José, taxista, também perdeu a vida para o coronavírus.
O filho André Luiz lamenta que a neta não vai mais conviver com o avô. “Nosso pai deixou em nós um legado de lealdade, fidelidade, companheirismo. Um avô presente, um pai que viveu para os filhos, viveu para a família, viveu para a esposa e hoje continua vivo dentro de nós.”
Jaqueline Macedo Gomes perdeu a mãe, Neuza, em maio.
“Minha mãe faleceu com 80 anos, mas tinha cabeça de 20, era superastral, mente aberta, amava e cuidava de todo mundo. Eu deixei minha mãe no hospital, viva, caminhando com a enfermeira para a sala de exames, e eu só pude vê-la 14 dias depois, morta”, lembrou.
“Números não trazem a verdadeira dimensão dessa perda e da dor das famílias. Por isso me traz muita tristeza e indignação quando eu vejo aglomerações. Por outro lado, é preciso ter esperança. É preciso cuidar da vida como algo único, algo muito precioso, cuidar de si e do outro”, emendou.
20 mil mortes: RJ tem mais vítimas de coronavírus que vários países
Mais mortes que países inteiros
Os óbitos no estado, com população estimada em 17,3 milhões de habitantes, superam números de países inteiros nesta pandemia.
De acordo com o Ministério da Saúde, na taxa de mortes por 100 mil habitantes, o RJ ocupa a segunda pior posição (116 mortes/100 mil habitantes), atrás apenas do DF (118,6 mortes/100 mil habitantes).
No Brasil, com 156 mil óbitos, o RJ está atrás de SP, que somava 38 mil mortos.
Segundo dados da Universidade de John Hopkins, se o RJ fosse um país, estaria em 14º no ranking de mortes, à frente da África do Sul, por exemplo, que tem uma população estimada em 58 milhões de pessoas.
O primeiro caso oficial do novo coronavírus no RJ foi registrado em 5 de março. Seis dias depois, a Organização Mundial da Saúde decretou pandemia.
A primeira morte no estado aconteceu no dia 19 de março — uma senhora de 63 anos, diabética e hipertensa, que trabalhava como empregada doméstica na casa de uma mulher que havia voltado de uma viagem da Itália.
Diminuiu, mas não zerou
Especialistas alertam que, apesar da diminuição da curva de mortes, o coronavírus continua fazendo vítimas todos os dias.
“Nós estamos numa situação melhor do que maio, junho, sem dúvida nenhuma. O problema é que nós não conseguimos zerar os números”, explicou Amílcar Tanuri, virologista da UFRJ.
“O vírus continua circulando numa taxa muito mais alta do que nós gostaríamos. Um estudo feito em Harvard mostra que, para você ter uma situação confortável, deve haver uma incidência média de 350 novos casos por 100 mil habitantes em 14 dias. Nós estamos muito além disso”, detalhou.
Tanuri destaca que “segurança, mesmo, só quando a vacina chegar”.
“Na melhor das hipóteses, em março. Então, até março, nós pedimos a maior cautela para todo mundo”, destacou.
“Se você sai na rua sem máscara, se você socializa, vai à boate e volta para casa, você pode trazer um companheiro indesejado, que é o vírus. E espalhar na sua casa, espalhar no seu trabalho”, pontuou.
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