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Após relatar tentativa de estupro, vendedora tem crises de ansiedade e estresse pós-traumático


Anna Paula Oliveira, de 31 anos, depende ainda da ajuda de amigos e da mãe para cuidar das duas filhas pequenas. Anna Paula Oliveira: jovem vaidosa e animada, segundo a família
REprodução/redes sociais
A família de Anna Paula Oliveira, demitida após relatar uma tentativa de estupro por parte de um gerente e de um vendedor dentro de uma loja em que ela trabalhava, contou ao G1 que ela foi diagnosticada com depressão, ataque de pânico e estresse pós-traumático.
Segundo os parentes, pouca coisa lembra a mulher animada e vaidosa que Anna, de 31 anos, era antes do ocorrido dentro da loja, onde ela trabalhava também como vendedora.
Desde que fez a denúncia na delegacia e foi demitida, Anna Paula passa os dias em casa à base de remédios, não consegue ficar ou sair sozinha, nem mesmo cuidar das duas filhas pequenas.
Ela conta com a ajuda da mãe, Rita de Cássia, que é a pessoa que a acompanha ainda ao tratamento psicológico.
Ainda assim, as crises de ansiedade que fazem Anna ir parar nas emergências médicas são frequentes. Toda semana tem pelo menos uma. Nesta quarta-feira (18), quando o G1 conversou com a advogada da vendedora, Karen Pesenti, já havia ocorrido duas crises na semana.
“A vida da Anna acabou completamente. Só fica em casa com a mãe, e depende da ajuda dela, e do suporte de amigos e familiares para conseguir fazer as coisas e cuidar das filhas. Além disso, tem as crises de ansiedade, que ninguém sabe quando vêm, e que ela precisa ser levada para uma emergência medica”, diz a advogada.
Anna Paula em atendimento durante uma crise de ansiedade
Reprodução/redes sociais
Ela credita o dano psicológico ao tempo que a vendedora levou para denunciar.
“Depois que foi atacada, ela ainda tentou continuar, pois precisava do emprego. Saiu de férias e, quando voltou, pediu para ser transferida para outra loja. Foi, mas, quando chegou ao novo local de trabalho, a história já havia se espalhado. Ela não aguentou mais e contou para a família, que a apoiou para que ela fizesse o registro em uma delegacia”, conta Karen.
‘Foi brincadeira’
A advogada conta ainda que, até a vítima conseguir denunciar, o que aconteceu só no dia 1º de junho, foi alvo de pressão dos acusados para que não revelasse a história, nem fizesse registro de ocorrência.
“Eles diziam que não tinha sido nada demais, que foi uma brincadeira, que era para ela deixar para lá”, conta.
A mãe de Anna – já que ela não consegue falar sobre o caso -, também desabafou sobre o estado da filha nas redes sociais.
“Meu mundo está sem cor, vocês não têm noção do que é ver sua filha trancada, angustiada… A Paula estava acostuma a se maquiar, fazer as unhas. São meses vivendo um pesadelo”, escreveu Rita de Cássia em um desabafo.
Trecho do inquérito policial que apurou tentativa de estupro de uma vendedora da Tim
Reprodução
Justiça aceitou denúncia do MP
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público contra o vendedor e um gerente geral que tentaram estuprar uma colega. O caso aconteceu no dia 15 de abril dentro da loja da empresa no Norte Shopping, na Zona Norte do Rio.
A denúncia do Ministério Público foi entregue no dia 5 de agosto e levou em conta os crimes de estupro e coação no curso do processo. O juiz Marcos Augusto Ramos Peixoto, da 37ª Vara Criminal do Rio, aceitou a denúncia e transformou em processo no último dia 10. Os dois acusados foram demitidos na sexta-feira (13).
O inquérito policial, que serviu de base para a denúncia do Ministério Público, traz trechos de ameaças que a vítima teria sofrido para não denunciar.
O documento relata que o gerente tentou pressionar a vítima a pedir demissão e não levar o assédio adiante. Na delegacia, ele desqualificou a vítima dizendo que já havia visto fotos íntimas dela e que ela não “fazia o seu tipo”.
Ele também a ameaçou quando soube que a vendedora fez um registro de ocorrência: “Lá fora voê não me conhece”, disse.
O caso
Uma vendedora da loja Tim do Norte Shopping, na Zona Norte do Rio de Janeiro, contou em suas redes sociais que foi demitida após usar o canal interno da empresa para denunciar uma tentativa de estupro de um colega de trabalho e de seu gerente geral. Segundo o delegado que investiga o caso, Deoclécio Assis, um dos acusados chamava o espaço do refeitório de “sala da sarrada” .
O caso aconteceu no dia 15 de abril deste ano e o registro de ocorrência na 23ª DP (Méier) foi feito no dia 1º de junho.
Após a situação, a vítima conta que tentou continuar trabalhando normalmente por precisar do emprego. Mas, diante da dificuldade em ter que se relacionar diariamente com os acusados, decidiu recorrer a um canal interno da empresa para denunciar a situação.
“Decidi fazer a denúncia interna na TIM e responder uma avaliação da gestão do gerente geral, mal eu sabia que minha vida se tornaria ainda pior. Ele começou o olhar de cara feia e a me excluir dos grupos de trabalho para o meu bom desempenho profissional. Até que no dia 01.06.2021, me chama até a sala e depois chama os dois colegas de trabalho que presenciaram que eu fui atacada, humilhada de várias formas, ameaçada e coagida simplesmente porque ele teve acesso à denúncia e à avaliação da sua gestão, que eu claramente respondi de forma negativa”, escreveu na rede social.
A vendedora contou ainda que após fazer um registro de ocorrência, ficou muito abalada, precisando de cuidados médicos, que resultaram em uma licença de dois dias, que foi renovada por mais cinco.
Ao final do prazo, ela disse foi chamada até a sede da empresa, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade, onde acabou sendo demitida.
“A coordenadora me demitiu por justa causa, no meio de uma crise de ansiedade, e me demitiu de forma humilhante, falando sobre eu ter ferido a honra dos meus superiores e colegas de trabalho, quebrando o código de ética da TIM”, contou a mulher
A mulher acrescentou ainda que foi diagnosticada com depressão, ataque de pânico e estresse pós-traumático.
“Eu estava falando a verdade, não teria motivo para mentir e destruir minha carreira e minha vida”, disse.
‘Sala da sarrada’
Na conclusão do inquérito, o delegado Deoclécio Assis, da DP que apurou o caso, escreveu:
“O principal investigado/indiciado denominava a sala do refeitório (espaço pequeno) como sendo ‘sala da sarrada’, e há indícios de que os fatos já ocorreram com outras funcionárias que, em depoimento, negaram. A principal testemunha, mesmo advertida da necessidade de falar a verdade, mentiu, acompanhada da advogada da empresa. Ao ser submetida a uma acareação com a vítima, chorou, dando a nítida impressão que sofreu pressão para distorcer a realidade dos fatos. O principal investigado/indiciado, em seu depoimento insistiu em desacreditar a vítima, chegando ao ponto (e praticando novo crime) de dizer que a vítima já havia tido um relacionamento com um ex-funcionário, mesmo sabendo que o rapaz era casado; dito que já havia visto fotos íntimas da vítima na empresa e que a mesma não fazia o seu tipo”, escreveu o delegado.
Cozinha da loja da Tim, onde vendedora teria sido atacada por gerente e outro vendedor
Reprodução/Redes sociais
O que diz a empresa
Procurada para se manifestar sobre o caso, a TIM enviou uma nota dizendo que a apuração dos fatos ocorre sob sigilo, que lamenta a situação da funcionária e que mantém um “canal sério e sigiloso” para denúncias.
Confira a íntegra da nota abaixo:
“A TIM repudia veementemente qualquer situação de violência, abuso ou assédio e esclarece que o caso se encontra sob apuração sigilosa por parte das autoridades competentes.
Em função do recebimento da denúncia do Ministério Público, pelo Juiz Criminal, a empresa demitiu os dois colaboradores.
A empresa lamenta a situação exposta pela ex-colaboradora e informa que entrou em contato com a mesma para prestar apoio e suporte psicossocial a ela e a sua família. A empresa esclarece que qualquer decisão tomada com relação a seus colaboradores é sempre feita de forma imparcial e baseada em fatos apurados e documentados.
Ressalta-se, ainda, que a demissão da ex-colaboradora se deve a eventos pregressos vinculados à relação de trabalho e totalmente alheios aos fatos relatados. ”

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