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Crise hídrica: Entenda como o RS pode sofrer impacto da baixa geração de energia do Sudeste


Maioria das barragens do estado está com nível abaixo da metade. Sistema interligado faz com que regiões do país realizem “intercâmbio” de eletricidade. Segundo especialista, há risco do estado não ter energia gerada suficiente para atender à demanda da população. Hidrelétrica de Machadinho, na divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina
Consórcio Machadinho/Divulgação
Entrou em vigor, na quarta-feira (1º), novo patamar de bandeira tarifária para as contas de luz de todo o país. Além do impacto no bolso do consumidor, a crise hídrica que ocorre no Brasil, provocando a queda do nível dos reservatórios, pode trazer outros reflexos para o Rio Grande do Sul.
A avaliação é do professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Guilherme Fernandes Marques. Para o coordenador do Núcleo de Pesquisa em Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos (Gespla), há risco da energia gerada ser menor do que a necessidade de consumo.
“Existe o risco, pois com o RS está recebendo energia da região Sudeste, um déficit lá irá refletir aqui. Risco de não termos energia gerada suficiente para atender à demanda”, diz.
Os principais reservatórios do estado ficam nas bacias dos rios Uruguai e Jacuí, com a maioria de usinas e centrais hidrelétricas na metade norte do estado. A mais importante do estado, a de Barra Grande, em Pinhal da Serra, no Norte do RS, é a que apresenta menor volume. Veja abaixo
O especialista lembra que o sistema nacional é interligado. Assim, quando os estoques de água são maiores em uma região e menores em outra, ocorre um “intercâmbio de energia”. A transferência pode ser mais barata do que o aumento na geração. Contudo, quando todo o sistema está em baixa, fica mais difícil de fazer o manejo.
“Já teve época que tinha mais estoque de água aqui, aí o estado gerou excedente de energia e transferiu para o Sudeste. Agora em 2021 está acontecendo o contrário. A região Sudeste está transferindo energia para cá [Sul], a região Norte está transferindo para o Sudeste, a região Nordeste também”, explica Marques.
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O professor Guilherme Fernandes Marques comenta que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estabelece políticas para equilibrar o volume e a vazão dos reservatórios.
“A estratégia da operação é tentar preservar o máximo de água dos reservatórios para poder esticar a geração. A usina hidrelétrica depende não apenas da vazão, mas também da queda d’água. Se o nível for caindo, mas mantiver a mesma vazão, a quantidade de energia gerada é menor. É preferível passar menos água pela turbina e manter o nível mais alto”, detalha.
O Subsistema Sul, que compreende barragens de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, está com volume útil de 27,23%.
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Quanto o RS produz
Em razão das conexões de todo o sistema, não é possível dizer que um estado é autossuficiente, ou seja, que produz energia suficiente para o próprio consumo.
O Rio Grande do Sul, por exemplo, gerava 5% da capacidade instalada no Brasil em 2017. Naquele ano, o potencial de produção do estado era de 8.240,1 MW. Os dados são da Empresa de Pesquisa Energética, vinculada ao Ministério de Minas e Energia.
Mais da metade da eletricidade produzida pelo estado é oriunda de recursos hídricos. O restante é de geração eólica ou térmica (queima de carvão, óleo, gás, biomassa, entre outros). Menos de 1% é gerado por energia solar. Veja abaixo
Usina termelétrica no Rio Grande do Sul
Reprodução/RBS TV
Consumo
Tanto consumidores domésticos quanto indústrias estão preocupados com o aumento na conta de luz, como mostrou reportagem do RBS Notícias na quarta-feira. Veja abaixo
A empregada Marilene Macedo, de Caxias do Sul, na Serra, mora com mais duas pessoas. A cobrança, que era de R$ 120 em média, chegou a R$ 284 no último mês.
“A gente economiza o máximo que pode, com luz, com banho, com lavação de roupa. Agora a gente não sabe o que vai fazer”, lamenta.
Reajuste na conta de luz é de R$ 14,20 a cada 100 kWh consumidos
Reprodução/RBS TV
O reajuste que passou a valer na quarta gera um custo adicional de R$ 14,20 para cada 100 kW/h consumidos. O empresário Carlos Luiz Furlan projeta reduzir a produção de sua indústria no horário de pico. A conta de luz representa 20% das despesas da unidade.
“A gente depende de energia elétrica, não tem como o moinho gerar sem energia elétrica. Porém, a gente tem administrado, por exemplo, os horários de ponta, de não produzir, que são os momentos mais críticos”, afirma.
Novo aumento na conta de luz começa a valer a partir desta quarta (1º)
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