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Fiocruz alerta para aumento da Covid-19 no município do Rio


Pesquisadores do Observatório Covid-19 falam em reversão da tendência de queda de casos e apontam que oito municípios estão com suas taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 em 100%. Fachada da Fiocruz, no Rio
Carlos Brito/G1 Rio
Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgado nesta terça-feira (31) alertou para a possibilidade de aumento do número de casos da Covid-19 no município do Rio de Janeiro.
Segundo os pesquisadores do Observatório Covid-19, números da capital fluminense apontam para uma “reversão da tendência de queda de casos”. Os especialistas alertam também para a situação do estado, com oito municípios com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 em 100%.
“O município do Rio de Janeiro apresenta reversão da tendência de queda de casos, e o estado do Rio de Janeiro, por sua vez, apresenta oito municípios com taxa de ocupação de leitos de UTI Covid-19 em 100%, reacendendo um sinal de alerta para a atual situação da pandemia na cidade”, destacam os pesquisadores do Observatório.
Mais cedo, um levantamento do Laboratório Nacional de Computação Científica, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) mostrou que a variante delta domina com 86% dos casos analisados no Rio de Janeiro.
Variante delta: O que se sabe?
Na comparação com dois meses anteriores, os casos de delta representavam apenas 6%, e em julho, subiram para 48%.
O trabalho de pesquisa da Fiocruz, com o título “As fases da pandemia na cidade do Rio de Janeiro”, aponta ainda para uma mudança no cenário e tendência de crescimento dos casos de Covid-19 no município.
“As análises mais recentes aplicadas no Brasil mostram recuo no número absoluto de casos e óbitos no país. No entanto, a evolução dos casos no Município do Rio de Janeiro apresentou uma mudança e os dados sugerem aumento do número de casos”, dizia um trecho do documento.
A nota diz também que esta fase da pandemia reúne características semelhantes ao início do período, quando havia intensa circulação do vírus e baixa adesão às medidas de distanciamento físico, com taxas de ocupação de leitos próximas a 100% em todos os estados brasileiros.
Segundo os pesquisadores, a explosão do número de casos de Covid-19 pode ser resultado de um atraso da notificação de casos maior que a de óbitos, em cenário que revela problemas do fluxo de investigação, notificação e desfecho dos casos, comprometendo a qualidade da vigilância. O estudo sugere que a fase atual é de declínio dos óbitos e crescimento dos casos.
“Há ainda intensa circulação do vírus, e alta transmissão comunitária. É possível dizer que, na impossibilidade de conter novamente este crescimento de casos, e preparo adequado da rede de serviços de saúde, o horizonte a respeito de novo crescimento das mortes é previsível”, afirma a nota.
Alerta para o Brasil
Os pesquisadores da Fiocruz acreditam que ainda é cedo para garantir que a queda observada pelo Brasil para casos e óbitos seja sustentada. A situação do município do Rio de Janeiro serve de alerta para o Brasil, devido ao fato de que a pandemia ainda está longe de ser considerada controlada, e para que medidas sejam tomadas para que outros locais não vivam a mesma reversão da tendência.
“O contexto atual ainda é preocupante. Apesar de estarmos vivendo uma queda de óbitos, o indicativo de reversão da tendência para casos, com novo aumento, é cada vez mais claro. Temos condições mais favoráveis ao diagnóstico adequado, como um aumento nas testagens. Infelizmente, este não parece ser o único fator a explicar o novo cenário”.
Alguns fatores apontados pelos pesquisadores dificultam o enfrentamento da pandemia, como o perfil heterogêneo da população, as condições demográficas, econômicas e sociais igualmente distintas. Para eles, a baixa cobertura vacinal e a baixa adesão ao distanciamento físico favorecem a rápida disseminação da doença.
Diante dos resultados, a nota da Fiocruz considera adequada a medida de adiamento, por tempo indeterminado, do início do plano de retomada gradual das atividades. Além disso, os pesquisadores reforçam que as medidas precisam ser adotadas não apenas pela cidade do Rio de Janeiro, mas por toda a região metropolitana.
Rio suspende 1ª dose para adolescentes
A Prefeitura do Rio anunciou nesta terça que terá que suspender a vacinação de adolescentes nesta quarta-feira (1ª) por falta de doses da vacina — quando seriam imunizados jovens de 16 anos de idade.
Mas haverá repescagem para quem tem mais de 40 anos. A aplicação da segunda dose também segue normalmente.
A Secretaria Municipal de Saúde do Rio também decidiu manter o início da dose de reforço.
A campanha começa nesta quarta-feira com os idosos que vivem em instituições de longa permanência — que serão imunizados até o dia 10 de setembro.
A partir do dia 13 de setembro, terá início o calendário por idade, começando por quem tem 95 anos ou mais.
Exigência de comprovante de vacina adiada
A Prefeitura do Rio adiou para o dia 15 de setembro o início da exigência do comprovante de vacinação para locais de uso comum. A regra entraria em vigor nesta quarta-feira (1º).
A Secretaria Municipal de Saúde explicou, na última sexta-feira (27), que esse comprovante poderia ser a carteira de vacinação digital do ConecteSUS, a própria caderneta física ou um papel timbrado da Secretaria Municipal de Saúde.
No entanto, o próprio Ministério da Saúde admitiu instabilidades no sistema ConecteSUS— ora as informações demoram a carregar, ora as vacinas nem sequer aparecem.
Os problemas no serviço do Governo Federal são frequentes desde a última semana, segundo os usuários. Além da impossibilidade de emitir o certificado, algumas pessoas têm relatado que as doses já aplicadas não constam no sistema.

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