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Justiça define nesta terça caso do produtor cultural preso há quase um ano; família diz que ele estava em missa na hora do crime

Parentes e advogados apontam uma série de erros na investigação e no reconhecimento feito por fotografia. Justiça decide amanha se mantém prisão de produtor cultural no Rio
A família do produtor cultural Ângelo Gustavo, o Gugu, organizou uma manifestação nesta segunda-feira (30), no Largo do Machado, na Zona Sul do Rio, para pedir mais uma vez pela liberdade dele.
Justiça decide na terça-feira (31) se mantém ou não a prisão de Gugu, que está preso há quase um ano acusado de roubo de carro. A família afirma que ele é inocente e estava em uma missa no dia do crime.
“Eu tenho certeza que meu filho é inocente”, diz a mãe do produtor, Elcy Leopoldina.
Investigação foi feita pela vítima em redes sociais
Ângelo Gustavo foi preso no ano passado acusado de participar de um roubo de um carro. A família e a Comissão de Direitos da OAB afirmam que ele é inocente, e listam uma série de erros e falhas no reconhecimento feito na investigação.
Um deles é que Ângelo estava em uma igreja na hora do crime. Ele se recuperava de uma cirurgia no pulmão e também nunca foi ouvido durante as investigações. E o mais grave: foi reconhecido por uma foto de rede social em uma investigação paralela feita pela vítima do roubo.
“Desde o início do processo não houve investigação. Nem nas audiências meu filho não foi chamado. É um rapaz limpo, trabalhador”, enumera Elcy.
Um levantamento da Defensoria Pública do Rio e da entidade que reúne defensores públicos de todo o país revela que 83% dos presos injustamente por reconhecimento fotográfico no Brasil têm o mesmo perfil: são jovens, pobres e negros como Ângelo Gustavo, o Gugu.
Ângelo fez parte de uma campanha da OAB nas redes sociais que tem a narração de Caetano Veloso.
“Você tem provas, testemunhas que o Gugu não estava no local e ainda sim com a palavra de uma pessoa, que nesse caso era uma pessoa branca, classe média alta que acusou um menino negro que não estava no local. Ela tem mais credibilidade para Justiça do que as próprias testemunhas, documentos dizendo que o Gugu não estava no local”, diz uma amiga do produtor.
Ângelo Gustavo já foi condenado em segunda instância, mas a defesa do produtor cultural pediu revisão do processo. Três desembargadores já votaram pela absolvição e três foram contra. O desempate acontece na terça-feira (31).
“O tempo que ele perdeu não vai ser recuperado. É triste, mas a gente tem que usar essa tristeza para poder fazer diferença num país que a gente vive que é injusto, racista, classista e mais uma vez está condenando uma pessoa negra injustamente”, diz a amiga do produtor, Mariana Souza.
“É uma luta diária que não é só Ângelo Gustavo que está passando por isso. Tem outros Ângelos Gustavos… (..) eu quero justiça, quero que o judiciário reconheça o erro e solte meu filho porque tenho certeza que ele é inocente”, diz a mãe de Ângelo.
A Polícia Civil disse que que Ângelo Gustavo foi preso em cumprimento de um mandado de prisão expedido pela Justiça. A atual gestão da Polícia Civil recomendou que os delegados não usem apenas o reconhecimento fotográfico como única prova em inquéritos policiais para pedir a prisão de suspeitos.

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