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Como um navio encalhado no Canal de Suez gera caos no comércio mundial

Um navio de carga de 220.000 toneladas e 400 metros encalhou na última terça-feira 23 no Canal de Suez, no Egito, causando congestionamento náutico e gerando caos em uma das passagens mais importantes para o comércio mundial. O tráfego marítimo poderá levar semanas a voltar ao normal e os prejuízos podem chegar a bilhões de dólares.

O navio Evergreen foi atingido por uma rajada de vento quando ia do Mar Vermelho para o Mediterrâneo, fazendo com que ele bloqueasse a rota. Mais de 200 navios estão atualmente retidos nas extremidades do canal e na área da exploração no meio do canal, causando grandes atrasos nas entregas de petróleo e de outros produtos.

De acordo com o Conselho Mundial de Navegação, a capacidade diária de fluxo do Canal de Suez é de 106 navios. Dessa forma, as embarcações represadas não conseguirão ser liberadas em um único dia. Se o canal fica fechado por dois dias, por exemplo, são necessários mais dois dias após a reabertura para ajustar o trânsito

O Egito reabriu uma das passagens mais antigas do canal para tentar desafogar o tráfego. Mas ainda não se sabe quando o tráfego náutico será liberado e o impacto já é tremendo. Isso porque o canal está em uma rota de navegação que concentra cerca de 12% do comércio marítimo internacional. Suez ainda é a rota marítima mais importante no comércio entre Ásia, Oriente Médio e Europa: 80% das importações e exportações do continente passam por lá.

O transporte de gás natural liquefeito, petróleo bruto e petróleo refinado que passa pelo canal representa de 5% a 10% do movimento marítimo de todo mundo. O restante do tráfego do canal é em grande parte de produtos de consumo, como roupas, móveis, manufatura e peças automotivas.

Segundo o Lloyd’s List Intelligence, um serviço especializado de informações comerciais dedicado à comunidade marítima global, o bloqueio está segurando cerca de 400 milhões de dólares por hora em comércio e 5,1 bilhões por dia. O aumento nos custos para o transporte deve levar ao aumento dos preços dos produtos para o consumidor, aumentando a pressão sobre a inflação.

“Sem dúvidas, a região mais afetada pelo bloqueio do canal é a Europa. Porém, isso gera um efeito dominó em toda a cadeia logística mundial, incluindo o Brasil. Com o acidente, as demais embarcações têm duas opções: esperar na crescente fila ou adicionar 15 dias na viagem contornando a África”, afirma Antônio Bonassa, professor de Logística na ESPM SP.

Gigantes do comércio marítimo como os grupos Maersk e Hapag-Lloyd, da Alemanha, afirmaram nesta quinta-feira 25 considerar desviar a rota de seus navios e navegar pelo Cabo da Boa Esperança, no sul da África. O desvio acrescentaria 9.000 quilômetros na viagens dos navios e levaria 10 dias a mais.

Outro problema logístico grave a é a escassez de navios causada pelo encalhamento. “Esse atraso no desembarque das mercadorias também irá causar um atraso nos embarques posteriores, provocando escassez de navios e contêineres. Isso afeta muito o transporte de commodities, setor no qual o Brasil é exportador. Já estamos sentindo esses efeitos na cotação dos produtos no mercado, como observado no caso do petróleo”, afirma Antônio Bonassa.

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