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França nega pedido de museus e monumentos para reabertura

O governo da França rejeitou um pedido de reabertura de museus e monumentos nacionais nesse momento, segundo a ministra da Cultura, Roselyne Bachelot. A chefe da pasta se reuniu com dirigentes do setor nesta segunda-feira, 8.

Na reunião, que foi realizada por videoconferência e teve a presença do ministro da Saúde, Olivier Véran, cerca de trinta responsáveis pelos museus e monumentos do país pediram uma abertura antecipada sob algumas restrições. As medidas consistiriam em um protocolo sanitário reforçado, com uma capacidade de pessoas reduzidas, tarifas adaptadas, recepção exclusiva de público escolar ou aberturas limitadas durante a semana ou nos finais de semana de acordo com o perfil do estabelecimento, dentre eles grandes museus, como o Louvre e o Orsay.

Ao término da reunião, a ministra publicou em seu Twitter que irá conversar sobre as modalidades de reabertura de museus, monumentos e centros de arte assim que a situação de saúde permitir. A chefe de Cultura já havia dito recentemente ao canal BFM TV que a reabertura se daria o quanto antes, mas não imediata. Bachelot se negou a dar uma data precisa e lembrou que qualquer prazo pode ser anulado por uma situação sanitária extremamente instável.

Casas de espetáculos e museus protestaram por semanas devido ao fechamento prologando de seus espaços. Na semana passada, os museus, fechados desde outubro, lançaram uma petição online pedindo uma abertura parcial, porém imediata.

Atores e artistas têm dado voz ao protesto, entre eles o ator de cinema Pierre Niney, cuja publicação no Twitter no último domingo criticando o fechamento dos centros culturais se tornou viral. “Cem dias sem nenhum museu, mas com todas as igrejas abertas. Cem dias sem cinema, mas com todas as galerias comerciais abertas. Cem dias sem teatro, mas com todos os aviões lotados. 100 dias de incompreensão”, disse o protagonista de filmes como Yves Saint Laurent e O Homem Ideal.

“As condições para o retorno dessas atividades são quando os números de casos e a pressão sobre o sistema de saúde entrarem em uma decrescente”, disse Bachelot a BFM TV, insistindo que as condições sanitárias atuais são péssimas. Além disso, advertiu que tal reabertura será apenas para estabelecimentos culturais e museus, mas que o debate ainda não abrange salas de cinema e teatro.

Em meio a toda polêmica na França, o prefeito da cidade de Perpinhã, Louis Aliot, membro do partido ultradireitista Agrupamento Nacional, aprovou por decreto nacional a abertura dos quatro museus da cidade, que ficarão gratuitos durante um mês. “Roselyne Bachelot disse que quer acelerar a reabertura mas não dá nenhuma data. Há os que falam e há os que atuam. Os lugares culturais não são perigosos”, disse à Câmara Municipal em declarações obtidas pelo jornal L’Indépendant.

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A França registrou no último domingo 171 mortos por Covid-19 e 19.715 casos confirmados, segundo autoridades sanitárias. Desde o início da pandemia, o país acumula 3.337.048 casos e 78.965 mortes.

Outros países europeus

Na Inglaterra, seis em cada dez museus temem não sobreviver à pandemia do coronavírus, segundo revelou a associação Art Fund no dia 22 de janeiro. O atual confinamento total do país para combater uma nova cepa mais contagiosa corre o risco de aumentar consideravelmente este número e alguns museus podem fechar suas portas definitivamente, disse a associação, que se baseia em uma pesquisa realizada com seus membros no final de 2020.

“A pandemia está nos derrotando. Se a situação continuar, poderíamos chegar a ser completamente insolventes do ponto de vista financeiro. (…) É difícil dizer se poderemos reabrir nossas portas”, se desespera David Green, diretor do museu londrino Florence Nightingale, que no ano passado teve que abandonar as importantes celebrações previstas para comemorar seu bicentenário.

O governo de Boris Johnson destinou 1,57 bilhão de libras em auxílios para todo o setor cultural, considerados vitais mas insuficientes. Neste contexto, o Art Fund anunciou uma doação de 750 mil libras a 23 instituições culturais, elevando seu apoio ao setor desde o início da pandemia para 2,25 milhões de libras.

“Este dinheiro permitirá aos beneficiários evoluir e se adaptar aos desafios gerados pela pandemia, mas está muito longe de ser suficiente”, alertou a organização, que diz estar sobrecarregada com 451 pedidos de ajuda de museus por um total de 16,9 milhões de libras.

A Alemanha ampliou as medidas de restrição no início de fevereiro, assim como a Espanha, que vê sua capital, Madri, passar da marca dos 540 mil casos de coronavírus. Portugal, por sua vez, está em confinamento geral desde o dia 15 de janeiro, após concentrar 44% do total de mortes pelo vírus de toda a pandemia apenas no mês de janeiro.

Quem anda na direção contrária desses países é a Itália, que flexibilizou as restrições em quase todo o país desde o dia 1º de fevereiro. A medida permitiu a reabertura de monumentos como o Coliseu de Roma.

Museus também estão autorizados a abrir as portas, mas apenas durante os dias de semana, para evitar aglomerações. No início do mês, além do Coliseu, as exposições do Vaticano receberam público pela primeira vez em meses. Monumentos emblemáticos da capital italiana, como o Panteão, a Galeria Borghese e o Castelo Sant’Angelo, também podem ser visitados. O toque de recolher permanecerá em vigor em todo o território das 22h às 5h.

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