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Google ameaça desabilitar ferramenta de buscas na Austrália

Nesta sexta-feira, 22, o Google ameaçou de retirar sua ferramenta de busca do ar na Austrália caso o país não modifique uma proposta de lei que, se aprovada, forçaria a multinacional a pagar a empresas de comunicação pelo conteúdo veiculado na plataforma.

A proposta elaborada e apoiada pelo governo do primeiro-ministro conservador, Scott Morrison, é um “código de conduta vinculante” que quer regular as relações entre os meios de comunicação e as empresas que dominam a internet, como Google e Facebook, porque captam grande parte da receita publicitária.

A diretora-geral do Google Austrália, Mel Silva, declarou nesta sexta-feira diante de uma comissão do Senado que o “pior cenário” seria se o código fosse aprovado em sua versão atual, o que incentivaria o gigante tecnológico a suspender seus serviços de busca na Austrália. “Se esta versão do código se tornar lei, não teremos escolha a não ser suspender o Google Search na Austrália”, alertou Silva.

“A Austrália é quem estabelece as regras do que pode ser feito na Austrália. É o nosso Parlamento que decide”, declarou Morrison. “Pessoas que desejam trabalhar dentro dessa estrutura na Austrália são bem-vindas. Mas não cedemos a ameaças”.

O argumento do governo para a legislação é a de que essas empresas ficaram com grande parte do mercado publicitário dentro da internet no país. A cada 100 dólares australianos (cerca de 418 reais) gastos no país em publicidade na internet, 81 vão para o Google e Facebook, segundo a BBC News.

Segundo dados apresentados pelo governo, os meios de comunicação tradicionais perderam, ao todo, 75% da receita publicitária desde 2005. A crise na imprensa australiana se agravou com a pandemia de Covid-19, quando dezenas de jornais foram fechados e centenas de jornalistas ficaram desempregados.

A primeira versão do código prevê que o Google e o Facebook remunerem os meios de comunicações australianos, seja o grupo público ABC ou os jornais do grupo News Corp de Rupert Murdoch, pelo uso de seu conteúdo. O governo tem apenas Facebook e Google como alvos, e não outras plataformas muito populares como o Instagram ou o YouTube.

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