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O ambiente pós-Covid em Wuhan, berço da pandemia, um ano depois

Os DJs estão animados, a música é estrondosa e os jovens se preparam para uma noitada. Essa boate em Wuhan, cidade chinesa considerada o berço da pandemia de Covid-19, agora simboliza a liberdade recuperada enquanto o resto do mundo se fecha e se confina. 

A metrópole de 11 milhões de habitantes, onde surgiram os primeiros casos do novo coronavírus e primeira a entrar em quarentena em todo o mundo, deixou de ser a cidade fantasma que assombrou o resto do mundo. Hoje, os centros comerciais estão lotados e os engarrafamentos voltam a ser frequentes. 

Depois de longos meses sob duras restrições, a população já ensaiava em agosto um retorno à vida normal, abandonando até o uso de máscaras faciais. E agora, enquanto grande parte do planeta impõe toques de recolher, confinamentos e distanciamento social, em Wuhan a vida noturna está no auge. 

Para entrar na “Super Monkey”, uma enorme boate no centro da cidade, não é necessário estar em uma lista VIP e não há exigência de vestimenta. Mas a máscara é obrigatória e os seguranças na entrada controlam a temperatura dos clientes: acima de 37,3 graus, não pode entrar.

No interior, o clima é agitado, com luzes coloridas e fumaça, enquanto os jovens a maioria na casa dos 20 anos liberam toda a sua energia na pista de dança. Outros são meros espectadores, felizes por se reunir, após a quarentena sombria de um ano atrás, quando o que era então um vírus misterioso apareceu.

Boate em Wuhan, província de Hubei, no centro da China. 21/01/2021Hector Retamal/AFP

Um estudo publicado em dezembro pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) da China sugere que o coronavírus infectou ao menos 500.000 pessoas durante os meses iniciais do surto.  Ao todo, a China registrou 4.635 mortes. 

De acordo com dados oficiais, Wuhan teve 3.869 mortes decorrentes da Covid-19, equivalente a mais de 80% das mais de 4.600 mortes na China

“Fiquei preso em casa por dois ou três meses. O país tem enfrentado a epidemia muito bem, agora posso sair com absoluta paz de espírito”, disse Xu, um cliente de 30 anos, à agência AFP. 

Nesse ambiente, que pouco tem a ver com a austeridade oficialmente defendida pelo regime comunista, Chen Qiang, um jovem de 20 anos, está satisfeito que a China tenha praticamente controlado a epidemia em seu território, e isso apesar de pequenos surtos nos últimos dias.

“O governo chinês é bom. O governo chinês faz de tudo pelo seu povo e o povo é supremo. É diferente dos países estrangeiros”, afirma.

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A mídia chinesa cobre em detalhes as dificuldades dos países ocidentais diante da pandemia, que contrasta com o retorno à normalidade na China. Veem nisso a prova inequívoca da superioridade do modelo chinês.

Após Pequim registrar 19 pacientes infectados na última semana, por exemplo, o governo decretou ordens para que 1,6 milhão de pessoas em um bairro no sul da capital não deixem a região, incluindo dezenas de milhares que não podem sequer sair de suas casas. Junto a isso, as autoridades iniciaram um processo de testagem em massa, com objetivo de concluir mais de 2 milhões de testes em apenas dois dias.

De qualquer forma, ainda há vestígios da tragédia que podem ser facilmente percebidos. Muitos ainda usam máscaras nas ruas, hábito que poucos habitantes tinham antes da quarentena, alguns por não terem ouvido sequer falar sobre o vírus misterioso.

Nas últimas semanas, um número limitado de focos da doença foram detectados em várias regiões do país, mas não em Hubei, a província que tem sua capital em Wuhan.

Após 76 dias de quarentena, muitos de seus vizinhos se gabam de que sua cidade é a mais segura do mundo. E é verdade que a província de Hubei não registrou nenhum caso de Covid-19 desde maio.

Em setembro, a cidade chegou a reabrir as escolas para 1,4 milhão de estudantes, com segurança garantida a todos. Todas as instituições receberam ordens para comprar equipamentos de proteção e realizar sessões de treinamentos para ajudar a preparação para conter novos surtos. Segundo autoridades municipais, ainda foram apresentados planos de emergência para uma transição rápida ao ensino online caso os níveis de infecções voltassem a crescer. 

Chen Qiang reconhece que a pandemia mudou as coisas. Nas boates “há menos gente do que antes”, observa, e garante que, em termos gerais, as pessoas “saem menos e gastam menos”. 

Wuhan ficou isolada do mundo por 76 dias entre janeiro e abril. Após uma campanha grandiosa de testes, a vida normal gradualmente recuperou seu curso. 

Em contraste com as festas recentes e controversas imagens de uma megafesta em um parque aquático no ano passado, o grande mercado Huanan, onde animais selvagens eram vendidos e que foi um local testemunha da explosão da epidemia, continua fechado por tapumes azuis.

(Com AFP)

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