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“O mais importante já foi revelado”, diz Alessandro Vieira sobre CPI

Na reta final, qual o balanço que o senhor faz dos trabalhos da CPI? Com a degradação da atividade parlamentar, as pessoas tratam o Parlamento como um entreposto de emendas e cargos, e não como uma Casa que deve fiscalizar e produzir soluções. A CPI mudou um pouco isso, se aproximou bastante da sociedade, foi muito vista e conseguiu pôr luz na forma de atuação do governo Bolsonaro. No caso das vacinas, o setor técnico recomenda comprar o máximo de vacinas o mais rápido possível, com uma grande campanha de esclarecimento da população. O governo seguia fazendo o contrário. Quando a CPI chega, o presidente volta atrás um pouquinho. Digo um pouco porque Bolsonaro continua desinformando todos os dias.

É correta a impressão de que ela perdeu força depois do recesso? Grande parte dos senadores pensava que a CPI poderia ser um fórum judicial para investigar e descobrir esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro. Num primeiro momento, para muitos deles parecia que era uma mágica, que seria só apertar dois botões e teríamos a identificação de para onde foi o dinheiro da propina. Não é assim que funciona.

Então não há provas de corrupção? Falta a alguns parlamentares a compreensão exata do que se pode e do que não se pode fazer em uma CPI. A gente não consegue avançar muito nas investigações sobre corrupção, por exemplo, porque não temos ferramentas suficientes para tocar investigações sobre lavagem de dinheiro e organização criminosa. Não vamos conseguir investigar corrupção esperando que alguém sente na cadeira e confesse.

Então foi um erro tentar investigar corrupção? Ela devia ter se concentrado nas ações e omissões do governo. Corrupção entra nessa conta como a motivação. Tanto faz se você deixou de comprar vacina porque é corrupto ou porque é ignorante. Quando colocamos no papel tudo o que o governo fez de errado e medimos o prejuízo, centenas de milhares de pessoas poderiam estar hoje vivas, milhões de pessoas poderiam não ter adoecido. É difícil ter uma coisa mais grave do que essa.

Publicado em VEJA de 1 de setembro de 2021, edição nº 2753

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