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Open banking no Brasil deve se desenvolver mais rápido que em outros países, diz Moody’s

Agência aponta que uma parcela importante dos serviços financeiros no Brasil ainda está com os cinco principais bancos de varejo, mas a inovação disruptiva continua a adicionar novos entrantes ao sistema. Entenda o que é Open Banking
O open banking no Brasil, cuja segunda fase começou na sexta-feira passada (13), dará aos concorrentes menores acesso aos dados coletados por grandes bancos dominantes.
Embora o open banking não mude o cenário de negócios imediatamente, a Moody’s acredita que esse novo ambiente para serviços bancários e financeiros se desenvolverá mais rapidamente no Brasil do que em outros países, porque muitos bancos e fintechs já têm trabalhado com o regulador local nos últimos dois anos e a demanda por serviços de menor custo é significativa.
Open banking: entenda o que é e como funciona
Veja alguns exemplos de como a plataforma pode beneficiar os clientes
“À medida que a digitalização traz novos desafios para o setor, a maioria das linhas de negócios de bancos tradicionais continua focada em defender seus resultados individuais e as tentativas de manter uma conexão digital com os clientes são normalmente vistas através de uma lente bancária”, diz a Moody’s.
A agência aponta que uma parcela importante dos serviços financeiros no Brasil ainda está com os cinco principais bancos de varejo (Itaú, Bradesco, Caixa, Banco do Brasil e Santander), mas a inovação disruptiva continua a adicionar novos entrantes ao sistema à medida que a regulamentação financeira estimula mudanças profundas e promove novas formas de fazer negócios.
“Os serviços financeiros também continuam caros e disponíveis de forma desigual para pequenas e médias empresas e famílias.”
De acordo com o relatório, o open banking certamente removerá barreiras importantes para acessar dados de clientes amplamente mantidos pelos grandes bancos de varejo, mas o desafio mais importante ainda está relacionado à mentalidade do cliente.
Embora o ecossistema open banking permita que os clientes comprem os melhores produtos e taxas de juros, explorando diferentes provedores de serviços financeiros antes de tomar sua decisão, o ritmo de expansão dependerá do consentimento do cliente com o compartilhamento de dados com outros pequenos players.
“Esse movimento deve ser gradual e lento, mas ainda à frente de outros países latino-americanos, o que também poderia servir de exemplo sobre a eficiência desse novo ecossistema em um país com informalidade de emprego elevada e lacuna de inclusão financeira. A oportunidade aumentará a profundidade financeira no médio prazo, mas uma ruptura dramática do setor bancário permanece improvável, pelo menos em um futuro próximo, à medida que os bancos tradicionais reagem à transformação em curso.”
A Moody’s lembra que o Banco Central (BC) adotou a abordagem de aplicação de requisitos regulatórios proporcionais ao tamanho e à relevância de uma entidade. Ao mesmo tempo, tem inovado, mais recentemente o Pix, um sistema instantâneo de pagamento lançado em novembro de 2020.
Segundo o relatório, além do estímulo regulatório do BC, as taxas de juros mais baixas nos últimos anos apoiaram os mercados de crédito e a capacidade de pagamento dos tomadores de empréstimo. Além disso, o ambiente contou com uma redução gradual das barreiras de entrada, enquanto nichos não atendidos propiciaram o crescimento de negócios bancários digitais de baixo custo, bem como vendas ou parcerias com os grandes bancos.
Como parte dessa mudança geral do mercado, os principais bancos começaram a se afastar dos modelos tradicionais, acelerando programas de inovação que tiveram início com as incubadoras de fintechs e, em alguns casos, criaram neobancos separados, como foi o caso do Next (do Bradesco). Outros bancos têm se concentrado em complementar as operações com um ecossistema financeiro online universal mais completo, exemplificado pelos esforços do BTG.
“Embora essa estratégia possa ter algumas implicações negativas no curto prazo, pois requer altos investimentos e, muitas vezes, um número grande de aquisições de operações complementares, essa tem sido a maneira de lidar com a transformação bancária atual e as novas demandas dos clientes, que pressionaram os modelos tradicionais a perder valor e reduzir as margens.”
Ao mesmo tempo, a Moody’s aponta que, embora até agora o crescimento das fintechs tenha sido apoiado por uma regulamentação mais branda, à medida que elas ganham escala e maior complexidade de negócios, o sistema regulatório será gradualmente reforçado. Ela lembra que o BC publicou uma solicitação de comentário sobre uma proposta de mudança regulatória que fortaleceria as regras que enquadram as fintechs focadas nas operações de pagamento. “Essas mudanças aumentarão os custos operacionais dessas empresas e exigirão mais capital, provavelmente reduzindo seu custo de captação e, potencialmente, o ritmo de crescimento de seus negócios.”
O relatório afirma que o Pix pressionou os resultados bancários provenientes de seu negócio tradicional de transferências (TED e DOC), um serviço caro para famílias e empresas menores e uma base de renda tarifária muito forte para os bancos. “A rápida adoção do sistema de pagamento do Pix, particularmente pelas famílias, que não pagam pelas transferências feitas através do Pix, já afetou a rentabilidade dos bancos tradicionais.”
Em termos de pagamentos de boletos e processamento de pagamentos via cartões de débito e crédito, a Moody’s estima que o resultado das tarifas bancárias diminuirá aproximadamente 10% em 12 meses a partir de novembro de 2020, considerando o nível de tarifas obtidas antes do Pix.

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