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Otoni diz que renuncia ao mandato se provarem sua participação em atos

Alvo de uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga incitação de atos violentos contra a democracia, o deputado federal bolsonarista Otoni de Paula (PSC-RJ) depôs na tarde desta segunda-feira, 30, na Superintendência da Polícia Federal, no Rio de Janeiro. Ele negou aos agentes da PF que tenha participado de grupos orquestrados na internet para atacar as instituições. Em entrevista a VEJA, o parlamentar afirmou que não há provas contra ele.

“Se alguém provar com uma foto, um vídeo, qualquer coisa, que eu tenha feito isso, eu renuncio ao meu mandato”, afirmou o deputado.

No depoimento à PF, a qual Veja teve acesso, Otoni negou ter relação com os movimentos de 7 de Setembro, feriado do Dia da Independência, data marcada para atos pró-Bolsonaro. Ele afirmou que não tem conversas por escrito ou por áudio que incitem a violência, além de não financiar e apoiar qualquer ação antidemocrática. O deputado ressaltou aos agentes da PF “que suas críticas são políticas”.

“(Otoni de Paula) esclarece que suas falas sobre forçar o Senado Federal a abrir processo de impeachment contra dois ministros do STF e de parar o país por tempo indeterminado estão sob a proteção da Constituição Federal”, diz um dos trechos do depoimento do parlamentar à PF.

No último dia 20, a PF fez buscas na casa de Otoni de Paula, no Rio. Os policiais apreenderam seu celular e um laptop. O mandado foi expedido pelo ministro Alexandre de Moraes. No depoimento, o deputado foi questionado sobre uma suposta participação dele em movimentos nas redes sociais que espalham as chamadas fake news (notícias falsas). O presidente Jair Bolsonaro e outros integrantes do governo são investigados pelo STF. “Eu não tive e não tenho acesso a ninguém”, ressaltou Otoni.

Após a ação da PF em sua residência, Otoni divulgou vídeo nas redes sociais. Segundo o deputado, Alexandre de Moraes é “tirano” e tem “comportamento ditatorial”. “O ministro é um déspota, que é aquela pessoa com comportamento ditatorial, autoritário”, afirmou o deputado em um vídeo. Otoni disse ainda que a decisão de Moraes “não muda nada na sua vida”. E ressaltou: “Que vergonha, ministro, que postura antidemocrática que vossa excelência tem tido”.

O parlamentar declarou também que não vai recuar: “Não vou recuar um milímetro. Dentro do que a democracia me permite, dentro do que a Constituição me permite, este deputado aqui, este cidadão brasileiro, investido de autoridade parlamentar, não recuará um milímetro. Se alguém acha que eu vou deixar de falar o que penso e ter a mesma postura, não vou deixar de ter”.

No vídeo, Otoni de Paula relatou que os policiais federais levaram aparelhos eletrônicos. “Estou com roupa de dormir e cara amarrotada, despenteado. Estou assim porque a Polícia Federal acabou de sair da minha casa”, revelou o deputado. “Não acharam dinheiro, joias, porque eu não tenho”, afirmou o parlamentar. Pastor da Assembleia de Deus e ex-vereador, Otoni de Paula já havia sido condenado na primeira instância da Justiça de São Paulo a pagar 70 000 reais por danos morais ao ministro Alexandre de Moraes após ofender o magistrado.

No Rio, seu reduto eleitoral, Otoni coleciona outras polêmicas, entre elas a que ficou conhecida como “dancinha homofóbica”. Em julho de 2018, na Câmara Municipal de Vereadores da capital, ele debochou do então vereador David Miranda (PSOL), homossexual assumido. À época, Miranda era a favor do impeachment do ex-prefeito Marcello Crivella (Republicanos). Otoni também foi o único a votar contra o projeto de lei para dar o nome da vereadora assassinada Marielle Franco à tribuna da Casa.

Para as eleições de 2022, Otoni de Paula tenta viabilizar uma possível candidatura ao Senado, com apoio de Bolsonaro. No ano passado, Otoni quis concorrer à Prefeitura do Rio, mas perdeu a indicação do PSC para a ex-juíza Glória Heloiza.

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