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Paralisação de caminhoneiros pode piorar inflação e atividade econômica em setembro; entenda


Greve da categoria em 2018 impulsionou o índice de preços para fora da média dos meses anteriores e derrubou em mais de 10% a produção industrial; proporções são menores, mas economia está mais frágil. Protesto de caminhoneiros em Roraima impede passagem de veículos de carga
Marcos Cadidé/Rede Amazônica
O segundo dia de manifestação de caminhoneiros aliados ao presidente Jair Bolsonaro traz lembranças da última grande greve da categoria realizada em 2018. Naquela ocasião, houve parada generalizada dos condutores, que reclamavam do preço do diesel e pediam tabelamento do frete.
Desta vez, os protestos seguem a linha dos manifestantes do 7 de Setembro, contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Houve protestos em rodovias de 16 estados, em todo o país, na manhã desta quinta-feira (9).
Para economistas ouvidos pelo G1, as consequências da paralisação dos caminhoneiros ainda são incertas, porque pairam dúvidas sobre o alcance do impacto na cadeia de distribuição.
“Ainda não está clara a extensão do bloqueio, ou se são manifestações diferentes de 2018. Se for um bloqueio, sabemos apenas que teremos problemas de abastecimento, que podem gerar altas de preços em um cenário já grave para a inflação”, diz Paula Magalhães, economista-chefe da consultoria A.C. Pastore.
Se há um ponto positivo, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) relata que pontos de obstrução começam a ser reabertos, indicando alguma desmobilização do movimento. O próprio presidente Bolsonaro enviou áudio aos caminhoneiros, pedindo que voltassem ao trabalho – no áudio, Bolsonaro também apontou para os riscos de inflação gerados pelos protestos (ouça abaixo).
Bolsonaro grava áudio com pedido para caminhoneiros liberarem estradas
Na greve de 2018, com a parada generalizada, a produção industrial do país chegou a cair 10,9% no mês de maio e o setor de serviços, 5%. Ambos se recuperaram em seguida, mas o desabastecimento despejou alta na inflação para o mês de junho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,26% naquele mês, bem acima da média dos meses anteriores ao choque.
RELEMBRE: Greve dos caminhoneiros afeta abastecimento e causa alta de preços
Entre outras medidas, o governo de Michel Temer anunciou redução de R$ 0,46 no litro do diesel e uma mudança na política de preços da Petrobras, em que o novo valor seria mantido por 60 dias e os ajustes seriam mensais. A categoria teve, à época, grande apoio do então deputado Jair Bolsonaro.
Nesta reedição de 2021, a pauta ideológica não engloba toda a categoria, apesar de uma grande parcela fazer parte da base de apoio do presidente. O principal problema é que a economia está em momento mais delicado e com outros choques no entorno.
“Junto com a crise política, a paralisação pode afetar a atividade de setembro, depois de julho e agosto ruins. Aumenta a chance de uma recessão já estar acontecendo e a estagflação ser antecipada”, diz Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.
Miriam: ‘A situação dos caminhoneiros cria mais uma instabilidade’
Inflação
A inflação oficial do país ficou em 0,87% em agosto, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 12 meses, o acúmulo encosta em dois dígitos: 9,68%, a mais alta desde fevereiro de 2016.
Puxada pelo aumento do preço da gasolina, esta foi a maior taxa para um mês de agosto desde 2000, embora levemente abaixo dos 0,96% registrados em julho.
Após a greve dos caminhoneiros de 2018, a soma em 12 meses do IPCA era de 4,39%, menos que a metade do que se registra agora. Mesmo com o choque no meio do ano, a inflação terminou 2018 em 3,75%, abaixo do centro da meta fixada pelo governo, que era de 4,5%.
Em 2021, a meta de inflação foi abandonada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que briga para se manter dentro do intervalo em 2022. Segundo o boletim Focus, a projeção dos agentes do mercado financeiro para o IPCA neste ano é de 7,58%. O teto da meta é de 5,25%.
G1 em 1 Minuto: Caminhoneiros bolsonaristas começam a liberar rodovias em vários estados
Crescimento do PIB
Um possível impacto na atividade também teria por consequência uma redução das projeções do Produto Interno Bruno (PIB) para este ano e para o ano que vem.
O segundo trimestre de 2021 registrou queda de 0,1%. Como comentou Sérgio Vale, da MB Associados, uma queda no terceiro trimestre configuraria um retorno da recessão técnica.
O desempenho do PIB brasileiro no segundo trimestre mostrou fraqueza da recuperação da crise. Segundo levantamento elaborado pela Austing Rating, o país ocupou o 38º lugar dentro de um ranking para o período com quase 50 países com as maiores economias do mundo.
A crise política, crescimento fraco e avanço da inflação somam-se como fatores importantes na piora de expectativas.
Seca e custos maiores afetam indústria e agropecuária
Indústria
O setor mais afetado pela greve anterior, a indústria, encara esse novo choque em momento difícil. No segundo trimestre de 2021, houve encolhimento de 0,2% no produto.
A indústria passa por complicações devido à alta do preço de insumos, energia mais cara por conta da crise hídrica, plantas de produção paralisadas e, também, com a redução de renda das famílias, que diminuem o consumo.
A alta do dólar também contribui: como uma fatia considerável dos insumos da indústria é importada, a valorização da moeda norte-americana frente ao real se reflete em mais aumentos de preços aqui dentro.

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