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Pesquisas devem mostrar cada vez mais o nome de Pacheco

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), tem sido lembrado nas rodas de conversa de autoridades, em Brasília, como um possível candidato a presidente da República. Tanto que já tem sido incluído pela imprensa nas sondagens feitas a líderes partidários e também pelos institutos nas pesquisas sobre o pleito presidencial.

A tendência é que ele passe a ser incluído com mais frequência no noticiário eleitoral e também nos estudos sobre intenção de voto.

Os motivos são vários. Vejamos alguns:

1) O primeiro motivo é que o próprio Pacheco, ao contrário de outros que também alimentam o desejo de se candidatar, faz questão de não desmentir o projeto. Tanto ele quanto seus aliados deixam a ideia alçar voo para ver até onde sobe.

Nesta semana, Pacheco apareceu em uma pesquisa feita pela consultoria mineira Quaest com 1% das intenções de voto no cenário estimulado (aquele em que o entrevistador mostra ao entrevistado uma lista de nomes e pergunta quem ele escolhe). O estudo foi contratado por uma corretora que atua no mercado financeiro e foi realizado com 2 mil pessoas, nos 26 Estados e no Distrito Federal, de 26 a 29 de agosto.

2) O segundo motivo é que Pacheco tem um perfil que costuma agradar às elites que concentram a renda no Brasil. Proveniente de uma família bem-sucedida no ramo empresarial, Pacheco é advogado criminalista, foi conselheiro federal da OAB por Minas Gerais, uma vaga geralmente ocupada apenas por advogados muito ricos e bem relacionados. Desde que entrou na política, eleito deputado federal em 2014, demonstrou ter uma atuação de conservador –no sentido que a palavra tinha até antes de Bolsonaro, um extremista, reivindicar o título para si.

3) Pacheco é um político com fome de poder. Mesmo discreto, em pouco tempo, já no primeiro mandato de deputado, ele conseguiu ser presidente da principal e mais almejada comissão da Câmara, a de Constituição e Justiça. Trata-se de um cargo que, para ser conquistado, requer jogo de cintura para fazer acordos, engolir sapos e prestar os favores necessários às lideranças partidárias. Na sequência, ao invés de tentar a reeleição, preferiu arriscar uma vaga de senador. Ganhou. Dois anos depois fez o que muitos políticos jamais conseguirão, mesmo após anos dentro do Congresso, que é ser presidente do Senado.

4) Há um vazio a ser preenchido na política brasileira. Setores do mercado financeiro, da sociedade civil, da imprensa e das instituições da República tem questionado se o país errou tanto nos últimos anos ao ponto de não produzir uma alternativa melhor do que Bolsonaro ou Lula para 2022.

A pesquisa Quaest tem um dado animador para Pacheco. Ele ainda é desconhecido por 60% dos brasileiros. Ou seja: diferente de outros candidatos, que já sofrem resistência de parcela expressiva da população, ele terá a oportunidade de ao menos tentar se apresentar de um jeito positivo. João Dória, por exemplo, já é conhecido por 89% dos eleitores, sendo que 57% dizem que não votariam nele. Henrique Mandetta, conhecido por 56%, é rejeitado por 41%. A estrada de Pacheco é um livro muito mais em branco, que pode ganhar um conteúdo melhor do que o que já foi construído pelo adversários. Quem está numa situação parecida é o governador do Rio Grande do sul, Eduardo Leite, também desconhecido por 60% da população, mas que não tem um cargo nacional capaz de colocá-lo todos os dias no noticiário, como ocorre com Pacheco.

5) Os outros possíveis nomes da terceira via não engrenaram. Isso pode mudar, claro. Mas os elementos disponíveis hoje não indicam nenhuma mudança. O ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro, por exemplo, era a principal expectativa de terceira via. Mas optou por se dedicar à carreira privada e se retirar do cenário político. Mesmo depois de fazer sérias acusações contra Bolsonaro, parece ter perdido até mesmo o interesse em passar a limpo os desmandos que alega ter sofrido do ex-chefe. Recentemente, em plena pandemia, no momento em que a fome volta ao Brasil, Moro fez uma tentativa de voltar ao palco politico, postando no Twitter um defesa da prisão em segunda instancia, um pauta relevante, mas desconectada das necessidades e prioridades do país que deverão pautar a eleição.

6) Nenhum espaço fica vazio por muito tempo. E assim deve ocorrer com esse vácuo entre Lula e Bolsonaro. Pacheco não é como Moro, que se recusa a dialogar com setores que não integram seu círculo próximo. Tampouco é como Mandetta, que sempre se contentou com funções importantes, mas laterais. Ciro Gomes e Marina Silva já têm seu teto eleitoral conhecido e dificilmente ultrapassarão essa marca, ainda mais com o racha dentro da esquerda, que impede a formação de uma coalização.

Depois do desastre de Bolsonaro, o que o PIB e as elites brasileiras querem parece ser um pouco de tranquilidade para planejar a reconstrução do país. Nesse campo, chama atenção a capacidade do presidente do Senado de agir com discrição e objetividade.

Neste momento, Pacheco tem articulado, por exemplo, uma possível mudança partidária, do DEM para o PSD. Assim, ele sairia da legenda controlada pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, aliado de Jair Bolsonaro, e entraria no partido do ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que se alia a quem quer que esteja no poder, não importa quem. Se há uma liderança no país que soube construir estratégias para atingir seus objetivos nos últimos anos, ela é Kassab. Estratégia sábia de Pacheco ir por esse caminho, portanto. Também é uma opção que indica afinidade com o “fazer política”.

O que resta saber é se o flerte de Pacheco com a presidência e com o PSD é apenas mais uma forma de ganhar envergadura para depois negociar benesses dos reais candidatos ou se é um projeto concreto. Enquanto a resposta não é respondida, no entanto, é muito provável que as pesquisas sigam exibindo seu nome aos entrevistados.

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