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Produtor cultural que foi preso injustamente no Rio agradece por campanha que ajudou a provar sua inocência


Ângelo Gustavo Nobre, o Gugu, deixou o presídio na quarta-feira (1), depois de revisão de julgamento que o absolveu. VÍDEO: Produtor cultural que foi preso injustamente no Rio agradece por campanha
O produtor cultural Ângelo Gustavo Nobre, o Gugu, usou suas redes sociais neste domingo (5) para agradecer a todos que se engajaram na campanha que ajudou a provar sua inocência.
Há um ano, Gugu foi acusado de roubo majorado depois de uma investigação controversa e feita pela vítima através de redes sociais, e que foi definida depois de um reconhecimento fotográfico na delegacia.
“Muito feliz de estar aqui de volta! Gostaria de agradecer a todos vcs, a minha família, em especial à guerreira da minha mãe, todos meus amigos, meus advogados, todos os meios de comunicação e todo mundo que acompanhou por aqui minha história, que mandou mensagem de carinho, de apoio… de força. Se não fosse por vocês, provavelmente eu não estaria hoje aqui”, disse ele.
O caso de Gugu foi tão emblemático, que virou tema de uma campanha da OAB. Chamada de “Justiça para Inocentes” conta a história do produtor e tem narração do cantor e compositor Caetano Veloso.
Investigação foi feita pela vítima em redes sociais
Ângelo Gustavo foi preso no ano passado acusado de participar de um roubo de um carro. A família e a Comissão de Direitos da OAB afirmavam que ele era inocente, e listaram uma série de erros e falhas no reconhecimento feito na investigação do caso.
Gustavo deixando o presídio: quase um ano tentando provar sua inocência
Reprodução/redes sociais
Um deles é que Ângelo estava em uma igreja na hora do crime. Ele se recuperava de uma cirurgia no pulmão e também nunca foi ouvido durante as investigações. E o mais grave: foi reconhecido por uma foto de rede social em uma investigação paralela feita pela vítima do roubo.
“A gente chegou para essa missa do melhor amigo dele. Ele estava se recuperando de cirurgia. Ele se sentiu mal nessa missa. Ele não tinha como estar em lugar nenhum, até porque não tinha condições de andar sozinho naquele dia… que dirá correr”, disse a tia de Gugu, Cássia Lima.
Um levantamento da Defensoria Pública do Rio e da entidade que reúne defensores públicos de todo o país revela que 83% dos presos injustamente por reconhecimento fotográfico no Brasil têm o mesmo perfil: são jovens, pobres e negros como Ângelo Gustavo, o Gugu.
A Polícia Civil disse que que Ângelo Gustavo foi preso em cumprimento de um mandado de prisão expedido pela Justiça. A atual gestão da Polícia Civil recomendou que os delegados não usem apenas o reconhecimento fotográfico como única prova em inquéritos policiais para pedir a prisão de suspeitos.

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