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Amigos – os maiores encontros!

Em tempos de pandemia, mais do que nunca temos sentido a importância das amizades, já que ficamos tanto tempo distantes fisicamente dos nossos amigos, sem poder compartilhar os momentos e programas alegres e festivos de antes. E também porque muitas vezes foram eles que nos trouxeram boas risadas e muito acolhimento nesse turbilhão de notícias tristes e em meio à tanta tensão. Ficou claro que a família é parte fundamental da vida, mas temos uma necessidade visceral de vínculos de amizade, de estarmos com nossos pares.

Muita gente vem perdendo amigos queridos. Quem não perdeu pensa: e se fosse um amigo meu? E a gente vê que não sabe como seria nossa vida sem pessoas que muitas vezes surgiram até tardiamente em nosso caminho, mas que agora fazem parte de quem somos.

Sempre achei o luto de amigos algo subestimado. Todo mundo entende alguém ficar arrasado quando perde alguém da família. Mas não vejo ninguém dando colher de chá para quem perde grandes amigos. A vida precisa continuar normalmente, sem nenhum parada para se recompor. E, dependendo da amizade, a pessoa pode estar mais sem chão do que alguns parentes. Dizem que os amigos são a família que a gente escolhe. Eu acho que tem amigos que a gente não escolhe, a gente reencontra. São da nossa família espiritual.

Tem gente que precisa passar perrengue para valorizar as boas amizades. Eu, ainda bem, já vim com esse chip, o de saber o quanto meus amigos são fundamentais. Nunca subestimei o valor de nenhum. Sempre cultivei e priorizei as boas amizades. Amizade é o investimento que mais dá retorno, e é para a vida toda. E se você não investiu nos seus amigos, o bom é que sempre é tempo. Tanto de retomar os afetos que ficaram perdidos no caminho, quanto de criar novos. Se estivermos abertos, podemos fazer amigos em qualquer lugar.

Acho amizade tão importante que é um valor que incentivo o tempo todo nos meus filhos. Eles brincam que sou a rainha dos amigos, por estar sempre trazendo para perto os amigos deles. A casa fica detonada, um caos, mas eu amo receber cada um deles e ver esses laços tão preciosos sendo construídos e mantidos.

Dou valor a todo tipo de amigo. Alguns me fazem rir muito, alguns me estimulam intelectualmente, alguns são muito diferentes de mim e por isso acho divertido estar junto, alguns são parecidos e por isso é bom estar junto, alguns me motivam a ficar mais soltinha, outros a ser mais sensata, alguns estão mais no meu cotidiano, outros estão internalizados e não precisam de muita convivência para se fazerem presentes e imprescindíveis. Alguns me fazem ser mais produtiva, outros me fazem ficar mais relaxada. Uns enchem minha bola, uns me dão uma esculhambada. A maioria faz muitas dessas coisas, não apenas uma delas.

Tem amigo que é colo, tem amigo que é farra, tem amigo que é paz, tem amigo que é sabedoria, tem amigo que nos instiga. E tem amigo que não precisa fazer nem ser nada disso especificamente. São pessoas que, por alguma razão, nos leem melhor que a maioria e nos levam para um lugar de conforto interior. Gente que, sei lá porque, nos traz para perto de nós mesmos. É como se fossem do mesmo país, da mesma cidade, do mesmo bairro e até da mesma rua emocional em que vivemos. Falam a nossa língua, entendem nossos códigos. Por compartilhar a mesma “cidadania”, você se sente acolhido, aceito, amado, e sente que pertence a uma terra, onde há outros como você. São pessoas que revigoram nossa alma quando estamos fracos, vazios, esgotados. Pessoas que nos curam de nós mesmos. Elas se conectam, e nos conectam, ao nosso melhor.

A maioria dessas pessoas, pela minha experiência, são pessoas antigas em nossas vidas. Mas tem gente que não. Tem gente que já chega sendo antiga. Vocês mal se conhecem, e são amigos da vida inteira. Amizade eterna à primeira vista. É algo que a gente não sabe de onde vem. Você conhece a pessoa e, pronto, já sabe que é da sua família espiritual. Ela desperta confiança e faz você sair renovado dos encontros, mais abastecido de afeto, de alegria, de amor e de si mesmo.

Uma amiga minha foi morar em São Paulo e não aguentou. Voltou logo para o Rio. Perguntei o que tinha acontecido e ela resumiu: “Lá eles não riam das minhas piadas”. Eu achei graça, claro. E nunca me esqueci disso. Amizade para mim é o que essa minha amiga não sentiu em São Paulo e sente aqui no Rio. Pertencimento, reconhecimento, acolhimento, cumplicidade. Nada define mais nossa identidade do que nossos vínculos de amizade. Como faz bem estar entre os nossos. Viva os amigos! Eles nos fazem sentir em casa, mesmo quando estamos fora dela.