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Calçadão de Copacabana inspira coleção da Chanel

O Brasil está em alta na moda. Ícones brasileiríssimos ganharam uma releitura na pré-coleção de primavera-verão da Chanel. Estampas homenageiam o artista plástico e paisagista brasileiro Roberto Burle Marx e a Avenida Atlântica em vestidos e cardigãs que remetem ao Calçadão de Copacabana – criado a partir de referências ao calçamento em ondas da Praça do Rossio em Lisboa. Acabamentos em fitas coloridas na barra de bermudas de alfaiataria lembram as fitinhas de Nosso Senhor do Bonfim. E a cartela de cores traz os tons intensos da bandeira, como amarelo, verde e azul, e o rosa, que parece celebrar as escolas de samba, em especial a Mangueira.

Além de se inspirar nas nossas cores e ícones, a diretora criativa Virginie Viard teve uma musa para esta coleção: a paulistana Amanda Sanchez, modelo de prova do ateliê Chanel em Paris. Elas trabalham juntas desde 2012, quando Virginie, que era braço-direito de Karl Lagerfeld, fez um teste com a modelo para ser a manequim cujo corpo serve para avaliar o caimento e modelagem das roupas por uma temporada. Amanda agradou tanto, que foi novamente chamada na temporada seguinte e assim começou a parceria, que já dura quase duas décadas. A brasileira, que sempre atuou nos bastidores, é a estrela da campanha, estampando revistas, sites e lojas do mundo inteiro.

Não é a primeira vez que o Brasil inspira uma coleção de uma grande maison. De vez em quando nosso país  volta à moda no cenário internacional. Em 2017, o designer de sapatos Christian Louboutin, que ama o Rio de Janeiro e visita a cidade com frequência, lançou uma coleção a partir do espírito “animado, colorido e sedutor” do carnaval e do samba. A estilista Carolina Herrera incluiu o Rio de Janeiro numa it bag de edição limitada estampada com uma aquarela do calçadão de Ipanema e seus coqueiros – a peça integrava uma série de homenagens a grandes cidades do mundo.

Em 2017, Nicolas Ghesquière não só fez uma coleção cruise da Louis Vuitton inspirada na obra de Oscar Niemeyer como apresentou o desfile em Niterói, no Museu de Arte Contemporânea. O arquiteto brasileiro, aliás, foi tema também de desfiles da Calvin Klein, Ermenegildo Zegna e Guy Laroche. Outra inspiração brasileira tão popular quanto Niemeyer na moda é a floresta amazônica. Em 2019, Francesco Risso, estilista da Marni, criou uma coleção depois de uma viagem à Amazônia feita um pouco antes das queimadas de 2019. Comovido, ele decidiu mostrar sua revolta na passarela da semana de moda de Milão.

Ver o Brasil estampado numa coleção da Chanel num ano tão difícil para a moda – e para todos – como na pandemia tem uma importância que vai muito além de gostar ou não dos looks (Sim, eu adorei os looks!). Ao homenagear o Brasil, Virginie Viard lançou os holofotes do mundo inteiro para o país e para os talentos brasileiros, como Burle Marx e Amanda Sanchez, cada um na sua área, claro. Merci, Virginie, por apontar seu olhar sensível para o que temos de melhor.

 

 

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