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Festivais de samba, livros e discos para animar os nossos corações

Foi um carnaval muito estranho. Principalmente para quem todos os anos mergulha na folia, como eu. Tá certo que tivemos lives incríveis, como a do Cordão da Bola Preta e a do Boitatá (um escândalo!), playlists, oficinas e outras invenções do mundo virtual. Mas nada substitui a experiência da festa nas ruas, adiada para 2022 por conta da pandemia da Covid-19. Agora, passado o período mais difícil para os amantes de Momo, dá até para se animar com as novidades anunciadas. Hora de tocar a vida pra frente.

Vem por aí festivais de samba e lançamentos de livros e discos, projetos que chegam para acalmar os nossos inquietos corações. Na semana que vem, com direção musical de Nilze Carvalho, começa a 2ª edição do Festival Samba na Universidade, nos dias 22, 23 e 24 de fevereiro, sempre às 19h, pelos canais do YouTube do Centro de Artes UFF, da TV PUC RJ e do próprio festival. Além de Nilze, a programação traz Tia Surica, Áurea Martins, João Cavalcanti, Moacyr Luz e Moyseis Marques. Delícia de programa para quem anda com muita saudade de uma boa roda de samba.

Começa com o encontro entre as duas portelenses, Tia Surica, a matriarca da Azul e Branco, e Nilze Carvalho, que ainda criança teve sua arte abraçada na quadra da escola. No dia seguinte, 23, é a vez de João Cavalcanti dividir o palco com Áurea Martins, que em plena comemoração dos seus 80 anos escolheu sambas clássicos. Para fechar com chave de ouro, Moyseis Marques e Moacyr Luz nos presenteiam com os sambas mais conhecidos de seus repertórios.

Sob a direção de Paulão 7 Cordas, Festival vai homenagear o bloco Cacique de Ramos, que completa 60 anos.Divulgação/Divulgação

Já no aniversário da cidade do Rio de Janeiro, 1º de março, é a vez do Festival Folia Carioca, promovido pela Associação Carioca de Blocos e Bandas. Também realizado de forma virtual, vai contar a história do carnaval de rua em quatro exibições (01, 07, 14 e 20 de março), tendo como inspiração o Cacique de Ramos, que completa 60 anos. A direção musical é de Paulão 7 Cordas e a direção artística é de Marquinhos de Oswaldo Cruz. Em formato de documentário, intercalando músicas e depoimentos, os episódios serão divulgados no canal da Folia Carioca no YouTube. O projeto também realiza campanha de recebimento de cestas básicas para ritmistas de blocos e bandas.

Amores confinados e casas em silêncio

Mas nem só de samba e festa vive este nosso pós-carnaval. No dia 23, será lançada, na plataforma Catarse, a campanha de financiamento coletivo do livro de contos “Amores Confinados – Histórias românticas em tempos virulentos”. Um time de 26 autores se debruçou sobre o tema e saíram histórias incríveis, com uma edição linda de Bruno Drummond. Como diz Marcela Esteves, jornalista e uma das idealizadoras do projeto junto com Luciana Neiva: “O amor rende, mesmo em tempos de pandemia!”.

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Um esforço coletivo para dar vazão a uma enxurrada de sentimentos represados durante a pandemia, que se revelam nas histórias narradas, algumas biográficas, algumas ficcionais. Assinam os textos André Gabeh, Arnaldo Bloch, Aziz Filho, Bárbara Pereira, Daniel Belmonte, Estevão Ribeiro, Fernanda Paiva Gentil, Gilberto Scofield, Gustavo Annecchini, João Pimentel, Laís Pimentel, Luciana Neiva, Luis Pimentel, Marcela Esteves, Marcelo Várzea, Maria Clara Mattos, Maria Elisa Coelho, Martha Medeiros, Nelito Fernandes, Renata Andrade, Sidney Garambone, Silvio Essinger, Thais Pontes, Toninho Nascimento, Zé Guilherme Vereza…além dessa colunista que vos escreve.

Um time de 26 autores se debruçou sobre o tema e saíram histórias incríveis, com uma edição linda com capa de Bruno Drummond.Capa Bruno Drummond/Reprodução

Também revelando sentimentos represados, essa sensação de impotência diante deste momento histórico tão adverso foi o que se uniu à força da canção de Juliano Holanda, cantor, compositor e musicista pernambucano que lança nesta sexta, 19 de fevereiro, o disco “Por onde as casas andam em silêncio”. Obra densa, na qual relê o contexto atual sob forte lirismo e experimentalismo em oito canções autorais, nas quais narra o revés vivido pelo cidadão brasileiro, o amargor do isolamento social, o inconformismo com as controvérsias políticas, a desilusão das expectativas frustradas. Um repertório que questiona e afaga, pelo qual Holanda canta a aspereza dos dias e, ao mesmo tempo, clama por mais humanidade nas relações sociais. Músicas que lamentam, que ruminam a dor, sem perder o vislumbre da esperança e do afeto como instrumento de sobrevivência.

Com direção musical assinada pelo próprio Juliano e por sua companheira, a produtora Mery Lemos, o disco foi idealizado e produzido durante a quarentena.Mery Lemos/Divulgação

Com direção musical assinada pelo próprio Juliano e por sua companheira, a produtora Mery Lemos, o disco foi idealizado e produzido durante a quarentena. Seis canções foram compostas durante o isolamento, somando-se a outras duas que já figuravam no repertório do compositor, que já escreveu algo em torno de 600 canções. Nos arranjos, a voz de Holanda dialoga apenas com um instrumento – o contrabaixo -, em alusão ao início de sua trajetória musical nos anos 1990 e 2000, quando começou a tocar com artistas da cena pernambucana.

O melhor de tudo é ver que, com pandemia, isolamento social, sem dinheiro e sem carnaval, seguimos nos reinventando e transformando nossa dor em arte. Com certeza, muitos outros projetos incríveis estão sendo gerados nas cabeças criativas dos nossos artistas brasileiros. Pois que venham!

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