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Moda: Série da Netflix conta história de roupas favoritas

Já parou para pensar qual a peça de roupa mais significante do seu guarda-roupa? Seria um vestido de noiva, uma camisa da sua primeira maratona, um biquíni de um verão inesquecível? Para investigar o tema, acaba de estrear a série documental “Histórias para vestir”, na Netflix, que apresenta depoimentos divertidos e comoventes de pessoas reais sobre as roupas mais importantes de suas vidas. Fala de moda a partir da memória e das relações afetivas.

Baseada no livro best-seller “Worn Stories”, de Emily Spivack, a série americana de oito episódios reúne personagens de perfis completamente diferentes que mostram suas peças favoritas e explicam porque elas têm tanto significado. A roupa é um elemento que nos acompanha na maior parte das nossas vidas – e em alguma medida pode ser vista como marcos de cada fase. Ao nascermos temos a saída de maternidade. Depois, a roupa do batizado. Na infância, o primeiro uniforme escolar. Para as adolescentes, o vestido da festa de 15 anos. Mais tarde, o traje dos noivos. Até a roupa com que somos enterrados é escolhida com carinho pelos parentes. Passamos a vida inteira escolhendo roupas especiais para ocasiões marcantes, de modo que a peça ganha um caráter emocional.

Na série, a cabeleireira Tren’Ness apresenta o vestido branco que comprou para ir ao funeral de sua avó. Um traje de despedida. Ela conta que na terra de origem de sua família, existe o hábito de usar branco nos velórios e por isso ela foi até uma loja procurar por um vestido. Lá se deparou com uma arara do designer Byron Lars, o mesmo que fez a primeira roupa que ela ganhou de presente da avó na vida. “Vovó, eu preciso que você me mande um vestido”, pediu, entendendo a coincidência como um sinal. Ao avistar o tal lindo vestido branco num cabide, ela sentiu como se sua avó o tivesse escolhido para ela. “Eu sabia que minha avó tinha me dado mais um presente incrível”, conta Tren’Ness. 

O interessante da série é que ela procura fugir de elementos óbvios do guarda-roupa. Uma das peças que protagonizam um dos episódios é uma tanga de couro preta cheia de tachinhas. A peça foi comprada por Tina Turner numa Sex Shop, em Berlim, como um presente para o saxofonista Timmy, personagem da série. Quando ele experimentou o presente sobre a calça jeans durante uma passagem de som, a cantora disse: “Agora sim, é isso que quero no palco”. Timmy faz um relato sobre os 15 anos que tocou com Turner. Ele lembra que nos anos 90, todas as bandas tinham solos de saxofone durante os shows. Depois de lembrar os anos de ouro ao lado de Turner, ele conta com tristeza que nos anos 2000 os saxofonistas “sumiram” das bandas, ou seja, saíram de moda. “Não existia mais um único solo de sax. Foi como se tivéssemos desaparecido”, diz, enquanto segura a tanga que representou os anos mais felizes de sua carreira. 

Boa parte das peças escolhidas pelos personagens foram um presente de alguém especial. Desde o primeiro macacão de bebê que a autora do livro, em que a série foi baseada, ganhou de presente da mãe; passando pelo suéter amarelo de uma aposentada japonesa, presenteado por um monge budista; até as gravatas confeccionadas pela avó de um dos entrevistados. O contraponto fica por conta da participação de adeptos do nudismo, que aparecem no primeiro episódio com frases provocadoras, como “Não sinto necessidade de usar roupa” e “Nudismo é se libertar das roupas e também das expectativas e das restrições”. O curioso de assistir à série é pensar sobre nosso próprio guarda-roupa e que roupa escolheríamos se tivéssemos que eleger apenas uma peça para contar um pouco da nossa história. Diga-me o que usas e te direi quem és. 

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