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O abre e fecha das escolas: como fica a cabeça das crianças?

Em cumprimento às novas orientações sanitárias restringindo a circulação de pessoas e atividades comerciais, mais uma vez nos vemos trancados em casa. Se para os adultos já não é fácil, imagine então para crianças e adolescentes, cheios de energia e vitalidade. Nos últimos 13 meses eles foram bastante sacrificados, mental e fisicamente.   

Eis que agora, cria-se um novo embate: quando as crianças devem voltar à escola? O comitê científico que orienta a Prefeitura do Rio afirma que o retorno pode ser imediato. A diretriz técnica agrada a maioria dos pais, que desejam que os filhos voltem ao ambiente escolar. Já o Sindicato dos Professores tem postura contrária e defende que ainda é cedo retornar às atividades, tendo em vista que a maioria dos profissionais ainda não foi vacinada. O retorno às aulas presenciais, vale frisar, não é obrigatório nas escolas públicas e particulares. A disputa foi parar na Justiça, numa sucessão de decisões e liminares. Em meio ao cabo de guerra burocrático, perde-se o foco no que deveria ser o mais importante: o bem-estar das crianças.  

A escola é o principal local de socialização das crianças, ambiente fundamental para seu desenvolvimento psíquico. Estamos assistindo, há meses, as crianças sentadas à frente de telas de computador. Mais do que conteúdo educacional, elas estão perdendo momentos preciosos que apenas o convívio presencial oferece. Em outros lugares do mundo, como Portugal e Itália, o ensino escolar foi mantido mesmo em período de lockdown, entendido como atividade essencial.

Como se não bastasse o atual isolamento e os danos mentais causados por tanta restrição, a disputa de “abre e fecha” das escolas, a expectativa de retorno às escolas e de reencontrar com os amigos e professores aumentam a ansiedade e a frustração das crianças e adolescentes.

Crianças são significativamente menos suscetíveis ao vírus, representam apenas 2,4% dos casos globais, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Estudos internacionais tem mostrado que o risco de contaminação em escolas é muito baixo. Fundamental é se atentar aos protocolos para se preservar a saúde dos alunos e dos professores: turmas reduzidas, aulas em dias alternados, distanciamento entre as mesas e verificação de sintomas.

Fabio Barbirato é psiquiatra pela ABP/CFM  e responsável pelo Setor de Psiquiatria Infantil do Serviço de Psiquiatria da Santa Casa do Rio. Como professor, dá aulas na Pós Graduação em Medicina e Psicologia da PUC-Rio. É autor dos livros “A mente do seu filho” e “O menino que nunca sorriu & outras histórias”. Foi um dos apresentadores do quadro “Eu amo quem sou”, sobre bullying, no “Fantástico” (TV Globo).

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