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O valor do afeto

Após catorze meses completamente isolada, Zezé Motta é enfática: “Agora vou mimá-los bastante”. Desde que a pandemia teve início por aqui e o distanciamento social se tornou regra de sobrevivência, a atriz de 76 anos assistiu de longe ao crescimento dos netos, Gabriel, de 11 anos, e Pérola, 2. A única alternativa possível era acompanhar os primeiros passinhos, palavras e gracinhas da pequena através dos vídeos enviados pela família, uma angústia que só chegou ao fim há poucos dias. Depois de ter tomado as duas doses do imunizante contra a Covid-19, a saudosa vovó se sentiu mais segura para restabelecer parte da antiga rotina e voltou a receber as crianças dentro de casa. O avanço da vacinação, que já atinge 97% da população acima de 60 anos no Rio e fez cair o número de mortes nessa faixa etária, representa uma injeção de esperança para os idosos. E também para seus netos, como a atriz Juliana Paes e os colegas Jéssica Ellen e Luis Lobianco, que relatam a emoção do reencontro com avós e avôs na matéria de capa desta edição.

Ainda que certos cuidados se façam necessários, a imunização da população é motivo de alegria em meio à avalanche de tristeza provocada pela morte de milhares de brasileiros, como o humorista Paulo Gustavo (1978-2021). Em entrevista para a seção Amarelinhas, uma de suas melhores amigas e parceira de trabalho, a atriz Mônica Martelli ressalta o importante legado deixado por ele: “Através da sua obra, do casamento com o Thales e dos seus filhos, o Paulo ajudou pessoas preconceituosas a rever seus conceitos e mostrou que família é amor, não importa a configuração”. Entre o alívio e o luto, reencontros emocionados e saudades eternas, uma coisa é certa: o afeto nunca se fez tão necessário.

Fernanda Thedim

editora-chefe de VEJA RIO

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