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Por onde anda Jout Jout

Antes de tudo é preciso dizer: essa colunista que vos escreve é membro da Família Jout Jout. E isso significa que sou fã da youtuber e dos seus conteúdos profundos que marcaram uma geração de seguidores ávidos por pensatas profundas sobre temas atuais como só ela era capaz de fazer. Pois bem. Dito isso, vamos às notícias. Julia Tolezano, a jornalista niteroiense de 30 anos está muito bem, obrigada. Quem confirmou as nossas suspeitas foi a própria em um bate-papo organizado pelo novo curso de Estudos de Mídia da PUC-Rio, na última quarta (2), que trouxe a youtuber como uma das convidadas para falar para alunos e quem mais quisesse acessar o link aberto da universidade. A transmissão que durou quase duas horas foi marcada por relatos surpreendentes de Jout Jout, que abandonou uma carreira digital de sucesso no auge do seu canal com quase dois milhões e meio de inscritos, em dezembro de 2019. De lá pra cá, ela vem experimentando uma vida nômade pelo interior do Brasil (no momento está indo passar um tempo indeterminado em uma barraca na beira de um rio em Goiás) e, pasmem, rompeu completamente com o universo digital.

O papo que tinha o intuito de trazê-la para falar sobre o seu momento atual e consequentemente a narrativa da sua experiência com as mídias sociais foi no mínimo surpreendente, considerando que a plateia ultraconectada e produtora de conteúdo estava em polvorosa pela presença da youtuber. “Antes de mais nada quero dizer que estou com medo do que vocês estão esperando que eu diga”, disse Julia, já explicando de início que aquela pessoa dos vídeos ultra virais havia se transformado completamente. “Comecei a reparar que o WhatsApp fazia com que eu me comunicasse mal, logo eu, uma comunicadora”, contou ela, que aboliu o uso do aplicativo de troca de mensagens instantâneas, assim como a conta do seu Instagram, que até o fechamento desta coluna reunia nada menos que 1,2 milhões de seguidores.

Jout Jout explicou que o excesso de exposição dos seus vídeos na internet e toda a dinâmica com a qual este universo operava fez com que ela se questionasse se muitas vezes não estava reproduzindo pensamentos de terceiros e posicionamentos que esperavam dela, em vez da sua própria opinião pessoal. “Essas não eram as exigências que a vida tinha pra mim, eram as exigências que eu tinha pra vida”, disse Julia sobre o excesso de expectativas das pessoas sobre ela. Foi um papo bem interessante e reflexivo para uma geração que está ingressando na faculdade em um contexto pandêmico e nasceu tão entranhada à realidade performática da internet que mal teve tempo de distinguir onde começa a imagem digital de alguém e acaba quem realmente somos. E como este equilíbrio muitas vezes pode ser difícil de encontrar e gerar frustrações.

Quando questionada pela plateia sobre os seus planos futuros, a jornalista deixou bem claro que não há previsão de voltar a gravar conteúdo para o seu canal de Youtube tão cedo e que tem encontrado sentido em viver de maneira mais simples, mais desconectada e próxima a natureza. “Não estou acompanhando o que está acontecendo na Inglaterra, mas quando a minha vizinha machucou o pé eu soube no mesmo segundo. Não sei nada do futuro”, enfatizou de maneira pouco ansiosa. Com quase duas horas de bate-papo, Julia não esqueceu de agradecer aos seus fãs pela compreensão com o seu sumiço, deixou no ar que um podcast seu sobre espiritualidade já está disponível na internet, porém em formato secreto, e finalizou o encontro dizendo que agora sua nova obsessão é estudar sobre o armazenamento de grãos. Ou seja, a mesma figuraça de sempre. Até breve, Jout Jout! A gente te espera.

Carla Knoplech é jornalista, fundadora da agência Forrest, de conteúdo e influência digital, consultora e professora