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Vaca louca: relembre a doença que ficou conhecida nos anos 80 e 90, após surto no Reino Unido


Depois de mais de 20 anos sem registro da doença, o governo confirmou dois casos em MG e MT. As exportações para China foram suspensas. Leite produzido por vacas A2A2 não causam desconforto digestivo.
Fabiana Assis/G1
Você sabe o que é “mal da vaca louca”? O nome pode não ser tão popular agora, mas ficou conhecido mundialmente após o surto da doença entre as décadas de 80 e 90, no Reino Unido. A epidemia tornava os animais perigosos, daí seu nome, e também assustava porque podia haver contaminação de humanos.
O tema voltou ao noticiário brasileiro nesta semana após governo confirmar que investigava uma suspeita em Minas Gerais. Neste sábado (4), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmou a ocorrência de um caso em Belo Horizonte e de outro em Nova Canaã do Norte, em Mato Grosso.
Nos dois casos, trata-se da “origem atípica” doença, ou seja, não ocorreu por causa de contaminação, que poderia afetar mais de um bovino por vez, mas por causa de uma mutação em um único animal.
Os países importadores e a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) já foram notificados.
Em 20 anos de monitoramento da doença no Brasil, nunca foi identificado a forma mais tradicional, que é quando o animal é contaminado por causa de sua alimentação, diz Vanessa Felipe de Souza Médica-Veterinária, Virologista, Pesquisadora da Embrapa Gado de Corte.
O Brasil possui status sanitário de risco insignificante para a doença, desde 2013, na OIE.
O surto nos anos 80 e 90
O primeiro grande surto da doença teve seu auge entre 1992 e 1993, quando foram confirmados quase 100 mil casos no Reino Unido. Estima-se que 180 mil cabeças de gado tenham sido afetadas e mais de 4 milhões de animais foram sacrificados na época.
Durante este período, o consumo de carne bovina ficou, inclusive, proibido naquele país.
Relembre a crise em reportagem da época:
Inglaterra estuda a possibilidade de incinerar o rebanho
O que é a doença da vaca louca?
A enfermidade é fatal e acomete bovinos adultos de idade mais avançada, provocando a degeneração do sistema nervoso. Como consequência, uma vaca que, a princípio, era calma e de fácil manejo, por exemplo, se torna agressiva, daí, o apelido do distúrbio.
A encefalopatia espongiforme bovina, nome científico da doença, é gerada por uma proteína infecciosa chamada príon. O príon já é presente no cérebro de vários mamíferos naturalmente, inclusive no ser humano, contudo, ele pode se tornar patogênico ao adotar uma forma anormal e se multiplicar demasiadamente.
Quando isso acontece, o príon mata os neurônios e no lugar ficam buracos brancos no cérebro, por isso o nome da doença de “espongiforme”, já que os buracos têm a forma semelhante a de uma esponja. Veja abaixo.
O príon doente mata os neurônios, deixando buracos brancos no local, semelhantes a uma esponja.
Reprodução / Globo Rural
Como a vaca é contaminada?
Existem duas formas principais para o animal adquirir a doença:
caso de origem atípica: nele, naturalmente, o príon sofre uma mutação, se tornando infeccioso. Quanto mais velho o animal, maior a probabilidade disto acontecer;
contaminação: por meio do consumo de rações feitas com proteína animal contaminada, como por exemplo, farinha de carne e ossos de outras espécies. No Brasil, é proibido o uso deste tipo de ingrediente na fabricação de ração para bovinos.
Não há indícios de que uma vaca transmita a doença para a outra, mas, caso ela seja diagnosticada com o mal, o produtor deve colocá-la para o abate e incinerar o corpo, a fim de evitar que se torne alimento para alguma espécie, explica Vanessa.
O criador também deve avisar o serviço oficial de defesa sanitária.
Quais os principais sintomas?
A doença da vaca louca tem uma evolução longa, na qual o animal apresenta sintomas neurológicos, como:
nervosismo;
apreensão;
medo;
ranger dos dentes;
hipersensibilidade ao som, toque e luz;
ataxia, ou seja, dificuldade para andar.
Estes sintomas podem ser confundidos com outras enfermidades que afetam o Sistema Nervoso Central, como raiva, intoxicações, poliencefalomalácia, herpes vírus bovino, entre outras. Por isso, é importante a sua comprovação por meio de diagnóstico laboratorial.
Vacas pegam carona em helicóptero nos Alpes suíços. Veja vídeo
Dá para tratar?
Não existe um tratamento ou vacina para a vaca louca, por isso, a melhor saída é prevenir que o animal desenvolva a proteína infecciosa, usando apenas as rações autorizadas. Consulte mais detalhes da prevenção nesta cartilha do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Quando acometido pela doença, o gado pode morrer entre duas semanas e seis meses após o início dos sintomas.
Humanos podem ser contaminados?
Assim como nos animais, os humanos podem desenvolver o príon infeccioso naturalmente ou adquirir no consumo de carne infectada. Em seres humanos, existem duas variedades da doença, veja a seguir:
Veja os dois tipos da doença que acomete humanos.
Editoria de Arte/G1
Ambas as doenças têm alguns sintomas em comum, como a perda de memória, perda visual, depressão e insônia.
É possível que uma pessoa tenha adquirido o problema e ela não manifeste sintomas por anos.
Quando identificado, o paciente pode ser tratado com antivirais e corticóides. No entanto, aproximadamente 90% dos indivíduos acometidos evoluem para óbito em um ano.
O diagnóstico pode ser feito por meio de exame laboratorial. Não há indícios da transmissão entre humanos, segundo o Ministério da Saúde, exceto em caso de contato com o sangue do paciente.
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