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Zé Trovão: ‘Só me entrego no meio do povo’

Marcos Antonio Pereira Gomes, o Zé Trovão, está foragido da Justiça desde a noite da sexta-feira, 3, depois que o  Supremo Tribunal Federal, atendeu a uma solicitação da Procuradoria Geral da República e decretou prisão preventiva do caminhoneiro por ele ter descumprido a determinação de se manter afastado das redes sociais. Zé Trovão é investigado no inquérito 4.879 em que o STF apura atos antidemocráticos. Na manhã deste sábado, 4, um vídeo gravado em local não identificado viralizou nas redes bolsonaristas. Nele, o líder que está conclamando as pessoas a participarem das manifestações do dia da independência, que até pouco tempo era um grande desconhecido mesmo para os companheiros de categoria, aparece enrolado em uma bandeira do Brasil, enquanto comenta a ordem de prisão emitida pelo ministro Alexandre de Moraes: “não tenho medo dos seus desmantelos, das suas ideias furadas, dessa sua boca cheia de malícia”, atacou. Nessa entrevista concedida exclusivamente a VEJA, em que respondeu às perguntas enviadas por escrito com mensagens de áudio, Zé Trovão critica o tom dos questionamentos e conta que pretende se manter à frente dos atos de 7 de setembro, mesmo tendo a Polícia Federal em seu encalço.

“Ordem da Justiça não se discute, se cumpre”, sobre essa máxima repousa a segurança jurídica do país. Por que o senhor decidiu desafiar o STF e não se entregar? Nem eu, nem meu advogado, nem minha família em casa recebemos essa decisão. Se o senhor tiver, me manda. Eu não cumpro ordens ilegais. Para saber se a ordem é ilegal, basta ler o artigo quinto, parágrafo 16 [da Constituição Federal, segundo o qual “Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente”]

O senhor diz que não tem como intenção incitar a violência nos atos de 7 de se setembro, mas se é para agir pacificamente, a postura mais razoável não seria se entregar às autoridades? Essa pergunta chega a ser ridícula. O que tem a ver eu me entregar com manifestação pacífica? Não tenho intenção de incitar a violência, nunca tive. 

O senhor vai participar dos atos de 7 de setembro? Se vocês colocarem a equipe [de repórteres] na rua vão ver onde vou aparecer. 

Pretende se entregar em meio à multidão? É o único lugar onde posso me entregar, para [cumprir] uma ordem inconstitucional. 

Não teme que essa situação possa causar tumultos? Me entregar no meio do povo não vai causar nenhum tumulto. Eu até fiz um convite para o senhor Alexandre de Moraes, para que ele próprio venha cumprir uma ordem que ele está monocraticamente tomando. Se ele quiser, eu vou dar o microfone do carro de som na mão dele para que ele fale ao povo brasileiro e veja o amor que o povo tem por ele. Não aceitamos, não pregamos e não permitimos violência. 

Após a ordem de prisão, o senhor gravou um vídeo em que, de maneira irônica, diz “olha minha cara de preocupado”. O senhor não está zombando de um ministro do Supremo? O senhor deve viver no mundo de Nárnia… interprete como quiser. Não tenho nenhum motivo para zombar de um ministro do Supremo, e sim para “impeachmá-lo”

O senhor se considera um radical? O que é ser radical? Amar a família e a pátria? Ser um pagador de impostos? Ser radical é falar sobre o meu descontentamento com a Justiça, ou melhor, com a injustiça brasileira? Precisamos reinventar o que é ser radical.

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