Com juros em 14,25% ao ano, mercado projeta apenas mais um corte até o fim de 2026, segundo o boletim Focus do Banco Central.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nos dias 4 e 5 de agosto para definir o novo patamar da taxa Selic, hoje em 14,25% ao ano. Será a primeira decisão de juros do segundo semestre de 2026, em um momento no qual o mercado financeiro já trabalha com expectativas relativamente definidas sobre o ritmo de queda dos juros até o fim do ano. A decisão, que costuma ser anunciada após o fechamento dos mercados, é acompanhada de perto por famílias, empresas e investidores, já que a Selic é a principal referência para o custo do crédito no país. Para quem não acompanha o noticiário econômico de perto, a dúvida mais frequente é entender o que realmente está em jogo nessa reunião e por que ela importa tanto para o bolso do brasileiro.
Em junho, o comitê havia reduzido a taxa de 14,50% para 14,25% ao ano, um corte de 0,25 ponto percentual que confirmou o ritmo gradual de queda adotado pelo Banco Central desde o início do ano. Antes disso, a Selic havia passado quatro meses no patamar de 15% ao ano, o maior nível desde julho de 2006, resultado de um ciclo de aperto monetário iniciado para conter a inflação em um cenário marcado por incertezas externas, entre elas o conflito no Oriente Médio, que pressionou o preço de combustíveis e alimentos ao longo do primeiro semestre.
O que o mercado espera para a decisão de agosto
Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, divulgada em 13 de julho, a projeção para o fechamento de 2026 aponta a Selic em 14% ao ano. Na prática, isso significa que o mercado enxerga espaço para apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual até dezembro, distribuído entre as quatro reuniões do Copom que ainda restam no calendário deste ano. A mesma edição do Focus trouxe a projeção de inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 5,16% para o fim de 2026, valor que já representa a segunda queda semanal consecutiva na expectativa dos analistas consultados pelo Banco Central.
Um ponto que costuma gerar confusão entre quem acompanha o tema é a diferença entre a Selic e o custo real do crédito para o consumidor final. A taxa básica de juros serve de referência para praticamente todas as demais taxas da economia, da poupança aos financiamentos imobiliários, mas cada modalidade de crédito tem sua própria dinâmica de precificação, que soma custos administrativos, tributos e o chamado spread bancário. Ainda assim, movimentos da Selic tendem a se refletir, com alguma defasagem, no custo do crédito consignado, no financiamento de veículos e nas taxas cobradas por cartões de crédito e cheque especial.
Consignado do INSS também depende da decisão
Uma semana antes da reunião de agosto, em 28 de julho, o Conselho Nacional de Previdência Social vai decidir sobre o corte no teto de juros do crédito consignado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), outra conta diretamente ligada ao patamar da Selic. O consignado do INSS é uma das modalidades de crédito mais utilizadas por aposentados e pensionistas justamente por oferecer taxas menores do que outras linhas de financiamento, já que o desconto é feito diretamente no benefício previdenciário. Mudanças no teto de juros dessa modalidade afetam diretamente a renda disponível de milhões de beneficiários em todo o país.
Enquanto isso, o cenário de renda fixa segue considerado atrativo por analistas do setor financeiro. Com a Selic ainda em patamar elevado, aplicações como o Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI continuam rendendo próximo da taxa básica de juros, o que tem mantido o interesse de investidores mais conservadores por esse tipo de produto. A poupança, por sua regra de remuneração, paga 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial sempre que a Selic está acima de 8,5% ao ano, patamar bem abaixo do nível atual, o que faz da caderneta de poupança uma opção historicamente menos vantajosa do que investimentos atrelados diretamente ao CDI nesse cenário.
Cenário externo ainda pesa nas decisões do Banco Central
Assim como em reuniões anteriores, o ambiente internacional segue como um fator de atenção para o Copom. As tensões geopolíticas no Oriente Médio ao longo do primeiro semestre tiveram reflexo direto sobre o preço internacional do petróleo, item que impacta diretamente os combustíveis vendidos no Brasil e, por consequência, a inflação medida pelo IPCA. O arrefecimento parcial dessas tensões ao longo do ano ajudou a aliviar parte da pressão sobre os preços de energia, embora analistas do mercado financeiro ainda tratem o cenário externo como instável, sobretudo em relação à política econômica dos Estados Unidos e às decisões do Federal Reserve, o banco central americano.
Para o consumidor comum, o desfecho da reunião de agosto deve ficar mais claro apenas na noite do dia 5, quando o Copom costuma divulgar o comunicado oficial explicando os motivos da decisão tomada. Até lá, o mercado financeiro segue ajustando suas apostas com base em cada novo dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e por outros indicadores de atividade econômica, em um processo contínuo de revisão de expectativas que costuma se intensificar nos dias que antecedem cada reunião do comitê.
Fontes consultadas:
https://soubrasilia.com/copom-selic-agosto-2026-expectativa/
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-06/copom-avalia-indicadores-economicos-e-decide-sobre-selic
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/banco-central-reduz-juros-basicos-para-145-ao-ano

