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Livro mostra a história do coronel da PM do RJ condenado por abuso sexual de menores de idade


‘O coronel que raptava infâncias’, fruto de cinco anos de trabalho do jornalista Matheus de Moura, mergulha nos crimes cometidos por Pedro Chavarry Duarte. O coronel da PM do Rio de Janeiro Pedro Chavarry, condenado por estupro de vulnerável e corrupção ativa
Reprodução/Rede Globo
Foi em uma noite de domingo de setembro de 2016, durante uma edição do Fantástico e ainda sob efeito da leitura recém-concluída de um clássico do jornalismo literário — “A sangue frio”, de Truman Capote –, que o então estudante de Jornalismo Matheus de Moura percebeu que estava diante de uma história que poderia render uma reportagem de fôlego.
Na TV, Matheus viu o coronel reformado da Polícia Militar do Rio de Janeiro Pedro Chavarry Duarte preso após ser flagrado por uma atendente de lanchonete e dois policiais militares dentro de um carro no estacionamento de um posto de gasolina, em Ramos, na Zona Norte do Rio, ao lado de uma criança de dois anos, nua, que aparentava estar grogue.
Em um vídeo feito na ocasião do flagrante, é possível ver o coronel dizendo que a ocorrência não iria à frente. “Segunda-feira, eu resolvo tudo. Vou acabar com essa ocorrência.”
O episódio era a ocorrência mais recente de abusos contra menores envolvendo o coronel — à época do flagrante, presidente da Caixa Beneficente da Polícia Militar.
“Quando vi aquela história no Fantástico, percebi que estava diante de uma investigação longa, de uma história que poderia ser contada detalhes. E que isso levaria tempo”, relembrou Matheus.
Cinco anos de trabalho
Matheus de Moura: livro consumiu cinco anos de apuração.
Leo Aversa
Cinco anos mais tarde, o resultado do esforço de apuração ganhou forma no livro “O coronel que raptava infâncias”, obra que chega às livrarias via Editora Intrínseca.
Em um primeiro momento, ainda cursando Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina e muito longe do Rio de Janeiro, Matheus passou a reunir todo o material publicado pela imprensa sobre o caso.
Depois, em 2018 e já na fase final do curso, ele chegou à conclusão de que não poderia mais ficar distante da capital carioca, onde estava seu objeto de investigação. Chegando a Niterói, cidade onde passou a viver, começou a fazer o levantamento dos processos envolvendo o coronel e também a entrevistar vítimas e familiares.
“Decidi não fazer ligações para marcar as entrevistas – isso poderia dar às pessoas a chance de mudarem de ideia e desistirem de falar comigo. Levantava o endereço das vítimas e batia à porta delas, sempre me identificando como repórter. É claro que, mesmo assim, muitas das vítimas ficavam com medo. Afinal, ele é um coronel da Polícia Militar. Mas, na maior parte das vezes, elas me recebiam.”
Ele também tentou conversar com Chavarry. O coronel, no entanto, não quis conceder entrevistas.
Depois de mais de 20 mil páginas de processos lidas e fotografadas e dezenas de horas de conversas com vítimas e também pessoas próximas ao coronel, Matheus concluiu que já possuía material em quantidade suficiente para escrever o livro – formato de publicação escolhido desde o início da investigação.
Evitando uma narrativa linear, o autor descreve em detalhes as origens da família de Chavarry, a infância pobre em Bonsucesso, Zona Norte do Rio, a relação conturbada com a mãe, a experiência do futuro coronel como coroinha na Paróquia de Nossa Senhora de Bonsucesso, o fraco desempenho escolar e a entrada e ascensão na hierarquia da Polícia Militar fluminense – quase sempre ostentando discursos de defesa de causas sociais.
O escritor e jornalista mantém os olhos ao passado para investigar o primeiro escândalo envolvendo Chavarry, quando, em 1993, ele foi acusado pelo crime de tráfico de bebês – uma recém-nascida de três meses, medicada com Lexotan, fora encontrada sozinha em um imóvel em Bangu. O local pertencia ao militar. Ele acabou absolvido das acusações.
Famílias carentes
Livro chegará às livrarias nesta quarta-feira (18).
Divulgação
Segundo a apuração de “O coronel que raptava infâncias”, o modo de abordagem utilizado por Chavarry quase sempre se repetia.
“Ele era muito ativo em comunidades carentes do Rio – sobretudo naquelas onde não havia tráfico de drogas forte ou associação de moradores presente. Era nelas que se aproximava de filhos e filhas de famílias que viviam em extrema pobreza. Para ter acesso aos menores, oferecia aos pais empregos, assistência financeira e prometia que os filhos seriam cuidados em creches, coisa que nunca aconteceu. Com a permissão dos responsáveis, levava os menores em carros de luxo e passava horas sozinhos com eles”, explicou Matheus.
Em maio de 2017, Chavarry foi condenado a 11 anos de reclusão por estupro de vulnerável e corrupção ativa. Deixou a cadeia não muito tempo depois, mas acabou retornando em 2019, após ser denunciado em outro caso de abuso de menores.
Atualmente, está detido no Batalhão Prisional da PM, em Niterói, Região Metropolitana do Rio. O Conselho de Justificação da corporação decidiu pela expulsão do coronel. No entanto, ele recorreu e o caso ainda tramita na Justiça.
Lançamento
O livro terá lançamento oficial nesta quarta-feira (18). Nesse dia, o autor fará uma live às 20h no perfil do Youtube da Ponte Jornalismo – organização sem fins lucrativos criada para defender os direitos humanos por meio do jornalismo
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