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Milicianos constroem casas em área de preservação ambiental em Guaratiba


Os criminosos também vendem terrenos e ainda cobram percentuais em outras negociações de terra. O local é Área de Proteção Permanente – portanto, não deveria receber construções. Casas construídas de forma irregular às margens do Rio Piraquê.
Reprodução/TV Globo
Os manguezais em Guaratiba, Zona Oeste do Rio, estão dominados por milicianos que fizeram da área de preservação ambiental um grande comércio. Os criminosos vendem terrenos e ainda cobram percentuais em negociações de terra.
Imagens feitas pelo Globocop mostram que a área se transformou em comunidade. Uma casa ao lado da outra – e todas dentro do mangue.
“À noite a gente vê muitos caminhões aterrando o brejo e depois as casas começam a ser construídas, casas sem estrutura nenhuma. Qualquer água que bater ali dá enchente, o solo é muito alagado. A gente já ligou para o 1746, mas não adianta”, relatou um morador do local.
Do alto, também foi possível flagrar muito lixo. A Rua Itapuca dá acesso a uma das áreas mais bonitas da Zona Oeste, mas um olhar mais atento mostra que os manguezais, Áreas de Preservação Permanente que protegem as margens de lagoas e rios e ainda filtram a água e o ar, estão abandonados na região.
Durante o sobrevoo, o Globocop flagrou construções erguidas a poucos metros do Rio Piraquê, em Guaratiba.
“São construções erguidas rapidamente, não possuem nenhuma estrutura. As pavimentações são feitas à noite, com caminhões aterrando as áreas”, descreveu outro morador.
Segundo pessoas que vivem no local, construções naquela área são feitas apenas mediante autorização da milícia. Sem fiscalização, as casas se multiplicam às margens do mangue.
Há 20 anos, o RJ1 já havia denunciado o problema. Na ocasião, 13 mil pessoas viviam no local, sobre o aterro.
“Essas áreas jamais deveriam ter sido ocupadas. Todo esgoto gerado por essas casas é jogado dentro dos rios e dos manguezais. São décadas de alertas e denúncias, mas o que vemos é a degradação avançando. Enquanto não houver políticas habitacionais e fiscalização sistemática, essa bagunça vai continuar”, afirmou o biólogo e ambientalista Mário Moscatelli.
“A gente fica preocupado pela natureza, porque estão destruindo o mangue, e preocupado pela pessoas, também. Uma chuva forte, com toda aquela terra encharcada… As casas não vão aguentar”, avaliou uma moradora.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente afirmou que crimes ambientais não serão tolerados na cidade do Rio e que já fez mais de 60 operações para combater infrações. O órgão informou que 117 hectares já foram retomados – área equivalente a 117 campos de futebol.
Ainda de acordo com a secretaria, denúncias podem ser feitas pelo telefone 1746.
A Polícia Civil informou que a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) investiga o caso e que a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente também investiga invasões em áreas ambientais nas regiões de Barra de Guaratiba e Guaratiba.
A Polícia Militar afirmou que combate sistematicamente as milícias – principalmente nas zonas Norte e Oeste – e que criou um grupo especial para investigar esses grupos criminosos.
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