19.4 C
Canoas
Home Rio de Janeiro Ocorrências de incêndio florestal sobem 8,8% no RJ

Ocorrências de incêndio florestal sobem 8,8% no RJ


Aumento de janeiro a agosto foi de quase 800 ocorrências, em comparação ao mesmo período do ano passado. Bombeiros relatam que traficantes dificultaram combate ao fogo na Zona Oeste. Rio registra aumento no caso de incêndios florestais
Entre janeiro e o dia 12 de agosto, o Estado do Rio registrou 782 ocorrências de incêndio florestal a mais em 2021 do que no mesmo período do ano passado. O aumento representa um acréscimo de 8,8% na quantidade de ocorrências.
Este ano, os bombeiros foram acionados para 9.665 casos de fogo em vegetação, enquanto em 2020, foram 8.883 ocorrências.
Ao longo de todo o ano de 2020, os bombeiros foram acionados para 13.674 casos de fogo em vegetação. Os números do início de agosto deste ano já representam 70% do total do ano passado.
Na última semana, houve casos de incêndios em matas no Morro do Salgueiro, na Zona Norte, e no Parque Estadual da Pedra Branca, na segunda (9) e na quarta (11).
O comandante-geral do CBMERJ disse ainda que, esta semana, os bombeiros foram impedidos por traficantes de realizar o combate das chamas no Morro da Pedra Branca.
“Tivemos uma questão seríssima nesse local essa semana. Em função dos criminosos, os bombeiros foram impedidos de fazer o combate mais extenso dos focos de incêndio”, disse o secretário.
Segundo o secretário Leandro Monteiro, é comum que criminosos utilizem a prática das queimadas como forma de limpar áreas cobertas e depois fazer construções irregulares.
RJ registra aumento do número de incêndios florestais em 2021
Infografia: Kayan Silva/G1
Alta sazonal
Segundo o secretário da Defesa Civil (Sedec-RJ) e comandante-geral do Corpo de Bombeiros (CBMERJ), o coronel Leandro Monteiro, os bombeiros já se preparam todos os anos para uma alta nos incêndios entre julho e setembro.
“Esse período, de julho à primeira quinzena de setembro, é o período que temos o maior número de acionamentos por incêndio florestal. O clima nessa época contribui bastante, por ser um período mais seco. E temos também as comemorações de festas juninas e julinas, ainda com a prática de balões, que é crime”, disse o secretário em entrevista ao G1.
‘Brasil, colapso ambiental’: dados inéditos revelam como o fogo está destruindo os biomas brasileiros
Incêndios na capital
Na cidade do Rio, neste ano, os bombeiros registraram 3.601 ocorrências de fogo em vegetação até esta quinta (12). Em 2020, foram 3.648 até esse mesmo dia.
O parque é uma unidade de conservação ambiental localizada na Zona Oeste da cidade. No início deste mês, o Globocop flagrou construções ilegais avançando sobre a mata local, mesmo após embargo da prefeitura.
Construções achadas em ‘garimpo’ clandestino na Zona Norte do Rio são demolidas
Prefeitura do Rio derruba construções irregulares na Rocinha, na Zona Sul, e na Gardênia Azul, na Zona Oeste
Segundo o biólogo e ambientalista Mário Moscatelli, o desmatamento dessas áreas provoca instabilidade dos terrenos e aumenta possibilidade de propagação de pragas e insetos.
“A ocupação dessas áreas pressupõe necessariamente a supressão da vegetação que é o que assegura a estabilidade do terreno. Portanto, a cada remoção de vegetação, cria-se uma área de risco ainda mais acentuada”, diz ele.
“A fauna simplesmente acaba sendo expulsa das áreas desmatadas, o que gera fragmentos cada vez menores de vegetação nativa. Em resumo, reduzimos a biodiversidade e aumentamos a probabilidade de pragas de insetos e animais que geralmente acompanham a espécie humana, tal como ratos, mosquitos e baratas que, sem predadores, se tornam pragas”, completa.
Incêndio florestal atinge local próximo a casas no Morro do Salgueiro, Zona Norte do Rio
Reprodução/Twitter
O que dizem as autoridades
Em nota, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informa que atende às ocorrências de incêndios florestais nas unidades de conservação gerenciadas pelo Instituto, por meio do Corpo de Guarda-Parques, tendo como protocolo acionar o Corpo de Bombeiros da região para atuar em conjunto ou em apoio Institucional, principalmente dentro dos limites e zonas de amortecimento das Unidades de Conservação Estaduais.
Sobre o Parque Estadual da Pedra Branca, o órgão ambiental estadual informa ainda que realiza, regularmente, ações de fiscalização em áreas dessa unidade de conservação com o objetivo de combater construções irregulares.
Ao longo de 2020, o Inea emitiu 51 autos administrativos durante as fiscalizações, das quais nove autos de medidas cautelares de embargos de obra, 10 notificações e 20 autos de constatações. O Inea esclarece ainda que a fiscalização na zona de amortecimento do parque compete à Prefeitura do Rio.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC) informa que tem intensificado as ações de combates a crimes ambientais, inclusive com auxílio sistemático de helicóptero.
Sobre os incêndios, segundo a secretaria, a prática associada à construção de casas tem se mostrado uma exceção, sendo os principais causadores a soltura de balões e a queima de lixo. As denúncias devem ser feitas pelo 1746.
*Estagiário supervisionado por João Ricardo Gonçalves

- Advertisement -

Conecte

0FansLike
7FollowersFollow