Com outubro se aproximando, o campo político fluminense se reorganiza em torno de dois polos, e o eleitor ainda tem muitas dúvidas sobre quem vai governar o estado.
As eleições de outubro de 2026 estão se aproximando e, no Rio de Janeiro, a disputa pelo Palácio Guanabara começa a ganhar contornos mais definidos. O prefeito Eduardo Paes (PSD) confirmou que vai disputar novamente o governo estadual, após ter sido derrotado em 2018, e anunciou a advogada Jane Reis (MDB) como vice em sua chapa. Do outro lado, o PL lançou o deputado federal Douglas Ruas como pré-candidato, tendo Rogério Lisboa (PP) como vice. As duas articulações já movimentam os bastidores políticos fluminenses, e a tendência é que o cenário se consolide nas próximas semanas com o início do período eleitoral oficial. Diário do RioDiário do Rio
Para o eleitor comum, ainda há muita coisa para entender. A eleição para governador ocorre junto com a escolha de senadores, deputados federais e estaduais, em um processo que pode se estender ao segundo turno. O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 acontecerá no dia 4 de outubro, enquanto o eventual segundo turno para as disputas majoritárias está marcado para 25 de outubro. Isso significa que, em menos de quatro meses, o Rio terá um novo governador eleito — ou confirmará o atual Cláudio Castro. Tre-rj
Paes à frente nas pesquisas, mas a disputa ainda é aberta
Eduardo Paes lidera no primeiro e segundo turnos para o governo do Rio, segundo pesquisa divulgada pelo Poder360 em 4 de junho de 2026. A liderança do prefeito nas sondagens reflete seu capital político acumulado nas duas gestões à frente da Prefeitura do Rio, mas também é resultado do desgaste do governador Cláudio Castro, cuja popularidade foi fortemente afetada pelos desdobramentos da Operação Contenção, megaoperação policial realizada nos Complexos do Alemão e da Penha em outubro de 2025, que resultou em mais de 120 mortes e gerou debates internacionais sobre os limites da política de segurança pública fluminense. Wikipedia
A candidatura de Paes ao governo estadual não é exatamente uma surpresa. O prefeito já havia tentado o cargo em 2018, sendo derrotado ainda no primeiro turno. Desde então, acumulou duas vitórias nas eleições municipais e construiu uma imagem associada a grandes eventos e obras de infraestrutura na capital. A questão que o eleitor deve se colocar é: o que Paes propõe para o interior do estado? O Rio de Janeiro não é só a capital — é também Campos dos Goytacazes, Petrópolis, Macaé, Volta Redonda e mais de 90 municípios com demandas específicas que nem sempre aparecem nos debates centrados no Rio urbano.
Do lado do PL, Douglas Ruas enfrenta o desafio de consolidar a base bolsonarista do estado, que existe e é expressiva, mas está fragmentada entre diferentes nomes e estratégias. A aliança com Rogério Lisboa indica uma tentativa de ampliar o espectro de apoio para além do eleitorado mais ideológico.
O cenário para o Senado e as candidaturas alternativas
A disputa pelo Senado fluminense também está movimentada. Benedita da Silva lidera a corrida ao Senado no Rio de Janeiro, segundo pesquisa do Poder360 de 4 de junho de 2026. A senadora e ex-governadora do PT tem uma trajetória política de décadas no estado e representa uma alternativa ao campo progressista que se reorganiza para as eleições. Wikipedia
Além dos nomes principais, o campo político fluminense conta com candidaturas que disputam nichos específicos do eleitorado. O PSOL lançou o vereador William Siri, de 33 anos, que atua em pautas ligadas ao funcionalismo público, reestatização de serviços e revisão de concessões. O Partido Novo confirmou André Marinho, humorista e apresentador conhecido por participações em programas como o Pânico, da Jovem Pan, e filho do empresário Paulo Marinho, suplente do senador Flávio Bolsonaro. Há ainda candidaturas de partidos menores que podem influenciar o resultado de primeiro turno ao dividir votos em blocos específicos. Diário do RioDiário do Rio
O eleitor carioca e fluminense tem pela frente um processo de decisão complexo, com muitos cargos em disputa, coligações em formação e programas ainda pouco detalhados. É fundamental que as candidaturas apresentem propostas concretas para as áreas de segurança pública, saúde, educação e mobilidade urbana — os temas que mais afetam o cotidiano da população.
O que o eleitor precisa saber antes de outubro
Com menos de quatro meses para o primeiro turno, o tempo de as candidaturas se apresentarem com clareza está se esgotando. Em outubro, mais de 155 milhões de brasileiros irão às urnas para eleger presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais e distritais. No Rio de Janeiro, o pleito estadual tem peso particular, dado o histórico de instabilidade política do estado nas últimas décadas — com governadores presos, afastados e investigados. Tre-rj
O eleitor que quer votar de forma informada tem nas próximas semanas a chance de acompanhar os programas de governo, os debates e as alianças que vão se formando. A disputa entre Paes e Ruas como principais candidatos ainda está longe de ser definida, e o campo intermediário pode reservar surpresas. O Rio de Janeiro mereceu e merece uma política de qualidade — e é nas urnas que essa exigência começa.
Fontes: Diário do Rio de Janeiro (https://diariodorio.com/pre-candidatos-ao-governo-do-rj-em-2026-veja-quem-sao-os-nomes-na-disputa/) | Wikipédia / Pesquisas Eleitorais RJ 2026 (https://pt.wikipedia.org/wiki/Pesquisas_eleitorais_para_a_eleição_estadual_de_2026_no_Rio_de_Janeiro) | TRE-RJ (https://www.tre-rj.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Marco/eleicoes-2026-conheca-a-ordem-de-votacao-na-urna-eletronica)
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

