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Seca reduz expectativa de crescimento do PIB agro em 2021, diz Ipea


Instituto de pesquisa cortou de 2,6% para 1,7% projeção de alta para a atividade do setor. Piora na produção de carne bovina também impactou estimativa. Alguns produtores do Paraná perderam safra de milho por causa da seca e geadas.
Reprodução/RPC
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) cortou de 2,6% para 1,7% a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária, nesta quinta-feira (26).
Impactos mais severos nesta safra do fenômeno La Niña, como a seca no Centro-Oeste e Sudeste, e piora do cenário da produção de bovinos contribuíram para a queda na estimativa, divulgada durante webinar em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Somente para a produção agrícola, a projeção caiu de 2,7% para 1,7%, puxada por: milho (-11,3%), cana-de-açúcar (-3,2%) e café (-21,0%).
Por outro lado, soja (+9,8%), trigo (+36,0%) e arroz (+4,1%) devem ter alta.
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O rendimento do milho em 2021, em especial, foi muito prejudicado pelo atraso na colheita da soja, que retardou o plantio da segunda safra, ficando dependente de chuvas tardias que não ocorreram.
Já para a produção animal, a previsão de alta foi revista de 2,5% para 1,8%, com crescimento para todos os segmentos, com exceção da produção de bovinos, com queda de 1,0%.
Há expectativa de desempenho positivo na produção das demais proteínas: suínos (+7,7%), frangos (+3,9%), leite (+3,1%) e ovos (+4,5%). No caso dos suínos, o bom desempenho está relacionado com o forte crescimento das exportações para a China este ano.
Melhora em 2022
Já para 2022, pesquisadores do Ipea estimam alta de 3,3% no PIB do setor, com crescimento de 3,9% na produção vegetal e de 1,8% na produção animal.
De acordo com a Conab, há expectativa de manutenção do bom desempenho da produção de soja, que deverá bater novo recorde em 2022, e de boa recuperação de culturas como milho e algodão, após a forte queda projetada para este ano.
Além disso, o abate de bovinos deverá, enfim, registrar recuperação após dois anos consecutivos de queda.
“Esperamos uma recuperação da oferta de bovinos no ano que vem, tendo transcorrido tempo suficiente para a recomposição do rebanho após o pico em 2019”, acrescentou Pedro Garcia, pesquisador associado do Ipea e um dos autores da nota.
Os principais riscos da projeção de crescimento, porém, estão relacionados aos efeitos climáticos sobre a produção agrícola e ao atraso na retomada dos abates de bovinos.
“Todavia, os modelos climáticos apontam um fenômeno La Niña mais brando na segunda metade do ano, com chuvas mais regulares nas culturas de verão e temperaturas mais amenas no inverno”, diz o Ipea.
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