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Setembro Amarelo: os jovens e o tabu do suicídio

Com a chegada do mês de setembro, o Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) promovem a oitava edição da campanha “Setembro Amarelo”, que visa aumentar a conscientização e diminuir o número de ocorrências de suicídio. Segundo pesquisas, estimam-se mais de 13 mil casos ao ano no país. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), calcula-se que a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio no mundo. Estas estatísticas podem ser ainda maiores, tendo em vista o alto número de subnotificações (até 60% dos pacientes atendidos em unidades de emergências devido a tentativas de suicídio foram dispensados sem uma avaliação de um psiquiatra).

Este ano, a campanha tem o tema “Agir salva vidas”. Segundo a ABP, estudos apontam que em mais de 98% dos casos o suicídio é causado por transtornos mentais não tratados corretamente ou sem acompanhamento profissional. Aproximadamente 96,8% das ocorrências estão relacionadas à depressão e ao transtorno bipolar.

Pouca gente sabe, mas a campanha Setembro Amarelo surgiu a partir do suicídio de um jovem. Em 1994, o americano Mike Emme, de 17 anos, pôs fim à própria vida, levando seus pais a criarem uma campanha sobre o tema. Hoje, adolescentes e jovens estão entre os grupos de maior atenção quando o tema é suicídio. Ele é a sexta causa de morte de crianças e jovens entre 5 e 14 anos e a terceira causa entre adolescentes de 15 a 24 anos. De acordo com a OMS, o suicídio é responsável por cerca de 8,5% dos óbitos entre adolescentes e adultos jovens no mundo (15 a 29 anos).

As redes sociais não podem ser ignoradas como um fator de gatilho para que os jovens cometam suicídio. Aplicativos e sites propiciam a troca de conteúdos sobre práticas suicidas e o convívio de indivíduos ainda vulneráveis, em formação, muitas vezes fragilizados e, com frequência, distantes dos olhos vigilantes dos pais. Soma-se a isso o efeito devastador da pandemia, impondo isolamento, distância e falta de convívio social, tão necessário a todos os humanos, mas especialmente aos jovens.

A mídia reluta em abordar o assunto, por acreditar que com isso não estimula o comportamento suicida. Isso talvez tenha feito sentido por muito tempo. Porém, com o advento das redes sociais, da comunicação instantânea sem o filtro de um intermediário, tal postura caducou. O suicídio está em livros, filmes, séries consumidos pelos jovens. Pergunte se eles não conhecem “13 Reasons Why” ou “Por lugares incríveis”, ambos da Netflix. Você irá se surpreender com a resposta. O fluxo de informação entre as novas gerações mudou. Por tudo isto, o suicídio não pode continuar a ser um tabu. A saúde mental de jovens e adolescentes deve ser assunto na escola, em casa, na família. Só assim, eles terão confiança o suficiente para pedirem ajuda se for necessário. As responsabilidades de pais e responsáveis aumentaram. Abra esse canal de confiança com seu filho. É o que ele espera de você.

Fabio Barbirato é psiquiatra pela ABP/CFM e responsável pelo Setor de Psiquiatria Infantil do Serviço de Psiquiatria da Santa Casa do Rio. Como professor, dá aulas na pós-graduação em Medicina e Psicologia da PUC-Rio. É autor dos livros “A mente do seu filho” e “O menino que nunca sorriu & outras histórias”. Foi um dos apresentadores do quadro “Eu amo quem sou”, sobre bullying, no “Fantástico” (TV Globo).

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