Prefeitura projeta crescimento de 7,8% em relação ao ano passado, puxado por calendário recheado de eventos entre julho e setembro
O inverno carioca deixou de ser sinônimo de baixa temporada e se transformou em uma das épocas mais lucrativas do ano para o turismo do Rio de Janeiro. Segundo levantamento da Prefeitura, feito por meio da Riotur em parceria com as secretarias de Turismo e de Desenvolvimento Econômico, os visitantes devem movimentar R$ 7,4 bilhões na economia da cidade entre julho, agosto e setembro de 2026. Muitos moradores e comerciantes se perguntam de onde vem esse otimismo, já que o Rio sempre foi associado ao verão e às praias lotadas. A resposta está em um calendário de eventos cada vez mais robusto, que consegue atrair turistas mesmo nos meses de temperaturas mais amenas, quando cidades como Paris e Nova York, por exemplo, também vivem sua temporada mais movimentada.
De onde vem a projeção de R$ 7,4 bilhões
A estimativa da Prefeitura considera a chegada de 2,8 milhões de turistas nacionais e internacionais ao Rio de Janeiro durante os três meses de inverno. O número representa um crescimento de 5% no fluxo de visitantes brasileiros e de 15% entre os estrangeiros, na comparação com o mesmo período de 2025. No ano passado, o inverno carioca já havia movimentado R$ 6,9 bilhões, o que faz da projeção atual um avanço real de 7,8%, considerando os efeitos da inflação. Os cálculos usam como base o estudo Panorama Turístico, produzido pelo Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises, com valores atualizados para maio de 2026 e deflacionados pelo IPCA.
O gasto médio estimado por turista também ajuda a entender a conta. Um visitante brasileiro costuma desembolsar R$ 2.208 durante a estadia, enquanto o turista estrangeiro gasta em média R$ 4.494, valor convertido em dólar e atualizado pela taxa de câmbio de maio. Esses números somam despesas com hospedagem, alimentação, transporte, entretenimento e compras, um retrato bastante completo do que movimenta a cadeia turística da cidade. Segundo a secretária municipal de Turismo, Daniela Maia, o clima mais ameno do inverno garante inclusive a melhor visibilidade do ano para pontos como o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, o que reforça o apelo do destino nessa época.
Os eventos que sustentam o crescimento do turismo
Entre 21 de junho e 22 de setembro de 2026, a cidade recebe uma sequência de eventos que vai da Maratona do Rio à Bienal do Livro, passando pelo Rio Innovation Week, pela Meia Maratona Internacional e pelo Mundial de Ginástica Rítmica. O Festival de Inverno Rio, que chega à nona edição na Marina da Glória entre 24 de julho e 2 de agosto, é um dos carros-chefe dessa programação e deve atrair público que combina shows com passeios pela Zona Sul e pelo Centro da cidade. A localização da Marina da Glória facilita o deslocamento para bairros como Flamengo, Catete e Lapa, o que amplia o alcance econômico do evento para além do público que compra ingresso.
Fora da capital, o Festival Sesc de Inverno também expande a temporada para outras regiões do estado, com programação entre 17 de julho e 2 de agosto em sete áreas fluminenses, da Região dos Lagos ao Médio Paraíba. Cidades como Búzios, Cabo Frio e Rio das Ostras entram no roteiro cultural com atrações gratuitas ou a preços populares, o que diversifica o destino para viajantes que buscam praia com um ritmo diferente do verão. Essa distribuição de eventos por diferentes regiões é vista pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico como um fator estratégico para espalhar os benefícios do turismo para além dos bairros mais tradicionais.
O que muda para quem mora e trabalha na cidade
Para o comércio local, o crescimento projetado significa mais demanda em setores como hospedagem, gastronomia e serviços de transporte durante um período do ano que antes era considerado mais fraco. Bares, restaurantes e pousadas da Zona Sul, do Centro e da Região dos Lagos tendem a sentir esse impacto de forma direta, com reflexo na geração de empregos temporários e na renda de trabalhadores autônomos ligados ao turismo. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, avalia que a diversificação de atrações tem ampliado a capacidade da cidade de atrair tanto turistas de lazer quanto viajantes ligados a eventos de negócios.
Quem planeja visitar o Rio durante o inverno também sente na prática os efeitos dessa alta procura, especialmente em relação à disponibilidade e ao preço de hospedagem em datas de grandes eventos. A recomendação de quem acompanha o setor é reservar com antecedência e conferir a programação oficial de cada festival antes de fechar roteiro, já que shows e atrações concentrados em poucos dias costumam gerar picos de ocupação hoteleira na cidade.
O avanço do turismo de inverno no Rio de Janeiro mostra como o calendário de eventos pode transformar a relação de uma cidade com as próprias estações do ano. Aquilo que antes era visto como período de menor movimento hoje sustenta bilhões em receita e um volume crescente de visitantes estrangeiros. Se a projeção da Prefeitura se confirmar, 2026 deve consolidar de vez a ideia de que o Rio funciona em alta temporada o ano inteiro, não apenas durante o verão.
Fontes: Prefeitura do Rio de Janeiro / Riotur | Diário do Rio de Janeiro | ABIH-RJ

