Planalto avalia que Trump pode adiar sobretaxa sobre produtos brasileiros, seguindo estratégia já usada em outras negociações comerciais
O governo brasileiro mantém a expectativa de que os Estados Unidos possam adiar a entrada em vigor de uma sobretaxa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, que estava prevista para começar em 15 de julho. A informação foi publicada pelo jornalista Gustavo Uribe, da CNN Brasil, com base em relatos de interlocutores envolvidos nas negociações entre autoridades brasileiras e representantes do governo norte-americano (fonte: CNN Brasil).
Os setores mais expostos à sobretaxa
Caso a medida entre de fato em vigor sem alterações, os segmentos mais afetados devem ser os de máquinas e equipamentos, plásticos, calçados, pescados e crustáceos, setores que mantêm forte participação nas exportações brasileiras para o mercado norte-americano. Essa concentração em poucos segmentos específicos ajuda a explicar por que o governo brasileiro tem direcionado esforços de negociação justamente para esses setores, buscando minimizar o impacto econômico da medida (fonte: Brasil 247).
Uma segunda tarifa considerada mais difícil de reverter
Apesar do otimismo em relação à possibilidade de adiamento da tarifa adicional de 25%, integrantes do governo admitem que o cenário é diferente em relação a uma segunda tarifa, de 12,5%, aplicada sob a justificativa de supostas falhas no combate ao trabalho forçado. Segundo avaliação do Palácio do Planalto, essa segunda medida tem menor chance de ser revertida, já que foi imposta não apenas ao Brasil, mas também a países da União Europeia, o que reduz a margem de negociação bilateral específica com Washington.
A estratégia de deixar o setor produtivo à frente
Segundo relatos à imprensa, representantes do governo americano sinalizaram, em conversas com representantes de setores econômicos brasileiros afetados pelas novas tarifas, que ainda existe a possibilidade de postergação da medida. Diante disso, a avaliação do governo brasileiro é de que, por se tratar de uma medida com forte componente político, a melhor estratégia no momento é deixar o setor empresarial capitanear boa parte das discussões, na tentativa de demonstrar aos Estados Unidos que a tarifa não teria razoabilidade puramente econômica.
O precedente de julho do ano anterior
Essa não é a primeira vez que o Brasil enfrenta esse tipo de ameaça tarifária por parte da administração americana. Em julho do ano anterior, Donald Trump havia anunciado uma tarifa ainda maior, de 50%, sobre praticamente todos os produtos brasileiros, medida que chegou a entrar em vigor em agosto após ser adiada uma vez, embora com isenções para setores considerados estratégicos, como aeronaves civis, energia, suco de laranja, ferro-gusa, metais preciosos, celulose e fertilizantes (fonte: Trading Economics).
A justificativa política por trás da medida original
Naquela ocasião, a Casa Branca havia citado explicitamente o processo judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro como parte da motivação da medida, além de acusações contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, de perseguir opositores políticos e prejudicar empresas americanas que operam no Brasil. Na época, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a tarifa como um cenário de “perde-perde” para ambos os países, estimando que cerca de 35,9% das exportações brasileiras seriam afetadas pela medida.
A resposta do governo brasileiro
Diante do anúncio da tarifa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a criação de um comitê interministerial, coordenado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, para conduzir as negociações com os Estados Unidos. O grupo passou a manter conversas com representantes do agronegócio, empresários e setores produtivos afetados pela medida, além de buscar articulação direta com empresas americanas interessadas em reverter o quadro tarifário (fonte: Vitor Vieira Jornalismo).
O instrumento da Lei da Reciprocidade
Como medida de contingência, o governo brasileiro também não descarta acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) e aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional e regulamentada pelo Executivo, que permite ao Brasil adotar medidas de retaliação comercial caso as negociações com os Estados Unidos não avancem de forma satisfatória.
O que esperar das negociações
Para empresas exportadoras e para o setor produtivo brasileiro, a recomendação de analistas é acompanhar de perto o desenrolar das conversas entre os dois países, já que a definição final sobre a aplicação ou o adiamento das tarifas deve impactar diretamente cadeias produtivas inteiras, especialmente nos setores identificados como mais vulneráveis. A expectativa do Palácio do Planalto é que a mobilização do setor privado, somada aos canais diplomáticos já abertos, ajude a construir uma solução negociada antes que a tarifa adicional efetivamente comece a valer.
Fontes:
- CNN Brasil: https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/gustavo-uribe/politica/brasil-aposta-que-eua-podem-adiar-aplicacao-de-tarifas-de-25/
- Brasil 247: https://www.brasil247.com/brasil/brasil-aposta-em-adiamento-de-tarifa-de-25-dos-eua/
- Trading Economics: https://pt.tradingeconomics.com/brazil/balance-of-trade/news/473872
- Vitor Vieira Jornalismo: https://vitorvieirajornalismo1.substack.com/p/ex-presidiario-lula-critica-bolsonaro

