O turismo no Rio de Janeiro alcançou em 2025 um desempenho histórico, tanto em volume de visitantes quanto em impacto econômico. A cidade recebeu 125 milhões de pessoas ao longo do ano, movimentando cerca de R$ 272 bilhões na economia local. Este artigo analisa os fatores que explicam esse recorde, os efeitos práticos sobre o desenvolvimento urbano e econômico e os desafios que surgem diante de um crescimento tão expressivo. Mais do que celebrar números, a proposta é refletir sobre como o turismo se consolida como política estratégica e vetor de transformação para o Rio de Janeiro.
O desempenho recorde do turismo carioca não pode ser interpretado como um fenômeno isolado. Ele resulta de uma combinação de elementos estruturais e conjunturais, como a retomada plena da mobilidade, o fortalecimento da imagem internacional da cidade e o aumento do turismo doméstico. O Rio de Janeiro voltou a ocupar um lugar central no imaginário de lazer, cultura e negócios, atraindo visitantes com perfis diversos e ampliando o tempo médio de permanência, o que potencializa o impacto econômico.
A movimentação de R$ 272 bilhões revela o peso do turismo como atividade transversal. Hotéis, bares, restaurantes, transporte, comércio, eventos e serviços culturais são diretamente beneficiados. Ao mesmo tempo, setores menos visíveis, como logística, tecnologia, segurança e economia criativa, também sentem os efeitos positivos da alta demanda. O turismo deixa de ser apenas um setor específico e passa a funcionar como eixo articulador da economia urbana.
Outro aspecto relevante é o papel do turismo interno. Embora o Rio mantenha forte apelo internacional, o crescimento expressivo do fluxo de visitantes nacionais demonstra uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro. A cidade passou a ser vista não apenas como destino de férias, mas também como espaço para eventos, experiências culturais, esportivas e gastronômicas. Essa diversificação reduz a dependência de sazonalidade e contribui para uma economia mais estável ao longo do ano.
Do ponto de vista do desenvolvimento urbano, o recorde de visitantes reforça a importância de investimentos contínuos em infraestrutura e serviços públicos. Mobilidade, segurança, limpeza urbana e ordenamento do espaço público tornam-se ainda mais estratégicos quando a cidade recebe um volume tão elevado de pessoas. O turismo, nesse contexto, funciona como um termômetro da eficiência da gestão urbana, pois a experiência do visitante está diretamente ligada à qualidade dos serviços oferecidos.
Entretanto, o crescimento acelerado também impõe desafios. A pressão sobre áreas turísticas tradicionais, como praias e centros históricos, exige políticas de gestão que evitem degradação ambiental e conflitos com moradores. O turismo sustentável deixa de ser um discurso abstrato e passa a ser uma necessidade prática. Planejar fluxos, diversificar roteiros e estimular o turismo em diferentes regiões da cidade são estratégias essenciais para equilibrar desenvolvimento econômico e qualidade de vida.
A geração de empregos é outro efeito relevante desse cenário. O turismo é intensivo em mão de obra e absorve trabalhadores com diferentes níveis de qualificação. O aumento do fluxo de visitantes amplia oportunidades formais e informais, especialmente em comunidades que se conectam à cadeia turística. No entanto, para que esse impacto seja duradouro, é fundamental investir em capacitação profissional e em condições de trabalho adequadas, evitando a precarização que historicamente acompanha parte do setor.
Sob uma perspectiva estratégica, os números de 2025 reforçam o turismo como política pública de longo prazo. O setor demonstra capacidade de atrair investimentos, dinamizar a economia e projetar a cidade internacionalmente. Contudo, depender apenas do crescimento espontâneo pode ser um erro. É necessário transformar esse bom momento em planejamento estruturado, com metas claras, integração entre esferas de governo e diálogo com a iniciativa privada.
O turismo no Rio de Janeiro também se conecta diretamente à economia da imagem. Cada visitante se torna um multiplicador simbólico da cidade, influenciando percepções e decisões futuras. Em um mundo cada vez mais guiado por experiências compartilhadas, a reputação do destino é um ativo econômico. Cuidar da experiência turística significa, portanto, investir em branding urbano e competitividade global.
Em síntese, o recorde de visitantes e o impacto bilionário do turismo em 2025 confirmam o Rio de Janeiro como um dos principais polos turísticos do Brasil e da América Latina. O desafio agora é transformar esse crescimento em desenvolvimento sustentável, garantindo que os benefícios econômicos se traduzam em melhorias concretas para a cidade e seus habitantes. O turismo mostrou sua força. Cabe à gestão pública e à sociedade civil definir como essa força será direcionada no futuro.
Autor: Scarlet Petrovic

