Durante muito tempo, a Internet das Coisas foi apresentada nas escolas como ideia abstrata, associada a exemplos distantes do cotidiano dos alunos. Gustavo Morceli evidencia que sensores, dispositivos conectados e coleta de dados apareciam em materiais teóricos, mas raramente eram percebidos como algo presente no ambiente real. Esse distanciamento limitava o potencial pedagógico da tecnologia e reforçava a sensação de que se tratava de um tema avançado demais para aplicação prática.
Nos últimos anos, esse cenário começou a mudar. A popularização de dispositivos conectados e a redução de custos tornaram o IoT mais acessível, permitindo que a tecnologia deixasse de ser apenas conteúdo explicativo e passasse a integrar experiências concretas. A escola, nesse contexto, começou a se transformar em espaço de observação, medição e análise, aproximando teoria e realidade de forma mais consistente.
Do conteúdo teórico ao dado observável
Uma das principais contribuições do IoT para a educação é a possibilidade de trabalhar com dados reais, como temperatura, consumo de energia e qualidade do ar, que se tornam informações coletadas no ambiente escolar. Essa mudança transforma a compreensão de conceitos científicos e matemáticos, permitindo que os alunos deixem de apenas receber informações e passem a interpretá-las. Ao comparar medições e identificar padrões, o aprendizado se torna mais ativo.
Gustavo Morceli destaca que o IoT ganha relevância educacional ao ser visto como algo presente no cotidiano dos estudantes, em vez de um tema futurista. A força da tecnologia reside em tornar conceitos abstratos visíveis e discutíveis, enriquecendo a experiência de aprendizado e conectando teoria e prática de maneira mais efetiva.
A escola como sistema conectado
A incorporação do IoT também provoca uma mudança na forma como a escola se percebe. Em vez de espaço isolado, ela passa a funcionar como sistema conectado, capaz de gerar informações sobre seu próprio funcionamento. Tal leitura amplia possibilidades pedagógicas e cria oportunidades para projetos interdisciplinares que envolvem ciência, tecnologia e análise de dados.
Trabalhar com sistemas conectados proporciona uma compreensão mais abrangente da infraestrutura digital. Os alunos começam a perceber que as tecnologias não funcionam isoladamente, mas dependem de redes, manutenção e continuidade. Segundo Gustavo Morceli, essa abordagem fortalece a educação tecnológica ao apresentar o IoT como um processo contínuo, em vez de uma ferramenta isolada.

Decisões pedagógicas e limites do uso do IoT
A adoção do IoT na educação, apesar de seu potencial, requer critérios claros e planejamento. Sem isso, sensores e dispositivos podem se tornar meros elementos decorativos, com impacto pedagógico limitado. A escolha do que medir, como analisar e integrar os dados ao currículo é fundamental para o sucesso da proposta. Além disso, a mediação docente é crucial, pois o professor transforma dados em conhecimento, orientando perguntas e estimulando interpretações.
Gustavo Morceli elucida que a maturidade no uso do IoT envolve reconhecer seus limites. Embora a tecnologia amplie possibilidades, ela não substitui a intencionalidade pedagógica nem o planejamento de longo prazo. É essencial que a implementação do IoT na educação seja feita de forma consciente e estruturada, garantindo que os recursos tecnológicos contribuam efetivamente para o aprendizado.
IoT como ponte entre aprendizagem e realidade
Quando bem estruturado, o uso da Internet das Coisas permite que a educação tecnológica se aproxime do mundo real. Os alunos aprendem a lidar com dados, sistemas e variáveis que fazem parte da vida cotidiana, desenvolvendo competências analíticas e críticas desde cedo. O IoT, nesse contexto, atua como ponte entre teoria e prática, ajudando a formar estudantes capazes de observar, interpretar e tomar decisões a partir de evidências.
Para Gustavo Morceli, esse movimento reforça a ideia de que tecnologia educacional não se mede pela sofisticação dos recursos, mas pela qualidade das experiências que ela possibilita. Mais do que introduzir novos dispositivos, o desafio está em criar experiências de aprendizagem que façam sentido. Quando conectada à realidade, a inovação deixa de ser discurso e passa a integrar o processo formativo de maneira efetiva.
Autor: Scarlet Petrovic

