A dúvida que interessa a quem trabalha com hotelaria e comércio na cidade: até onde vai essa curva de crescimento do turismo carioca?
O Rio de Janeiro recebeu 1,3 milhão de turistas estrangeiros entre janeiro e junho deste ano, resultado que ajudou a movimentar R$ 17,2 bilhões na economia local, segundo dados do Observatório do Turismo Carioca, ligado à Secretaria Municipal de Turismo. O valor representa um crescimento de quase 3% em comparação com o mesmo período de 2025, consolidando a trajetória positiva do setor na capital fluminense.
Como se divide o impacto econômico
Do total movimentado, turistas nacionais foram responsáveis por R$ 11,3 bilhões, o equivalente a 65,6% do impacto estimado, enquanto os visitantes internacionais contribuíram com R$ 5,9 bilhões, ou 34,4% do montante. Essa divisão mostra que, apesar do destaque dado ao público estrangeiro, o turismo doméstico continua sendo o principal motor econômico do setor na cidade, um detalhe importante para quem planeja estratégias de promoção turística voltadas a diferentes públicos.
Para Alfredo Lopes, presidente do HotéisRIO, o resultado reforça a importância de ações contínuas de promoção do destino e de investimentos na recuperação da conectividade aérea, fatores que ele considera determinantes para sustentar o fluxo de visitantes ao longo dos próximos meses.
O que puxa esse crescimento
Os efeitos do turismo se espalham por praticamente toda a cadeia produtiva ligada ao setor, elevando a demanda por hospedagem, alimentação, transporte, lazer, entretenimento e comércio. Segundo dados anteriores do mesmo observatório, a cidade já havia recebido 289.255 turistas internacionais apenas em janeiro, um crescimento de 17% em relação ao mesmo mês de 2025, quando 240.151 visitantes estrangeiros desembarcaram no estado.
Na hotelaria, os indicadores acompanham essa tendência de forma consistente. Levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro mostra que a taxa média de ocupação passou de 84% para 85% em janeiro e de 85% para 87% em fevereiro, na comparação entre 2025 e 2026, um avanço que, segundo o setor, já vem se traduzindo em aumento direto da receita dos hotéis da cidade.
Outro fator apontado como estratégico para o desempenho do turismo carioca é a diversificação do calendário de eventos ao longo do ano. Uma sequência de eventos entre 15 e 31 de agosto, distribuídos por espaços como Marina da Glória, Píer Mauá e o Estádio Nilton Santos, exemplifica esse esforço de espalhar atrações por diferentes épocas, reduzindo a dependência exclusiva da alta temporada de verão.
Congressos e eventos corporativos, em particular, contribuem para reduzir a sazonalidade ao estimular viagens em dias úteis e fora dos grandes feriados, já que o visitante que chega para um evento profissional também costuma consumir gastronomia, atrações culturais e outras experiências locais, ampliando o impacto econômico de cada viagem.
Origem dos visitantes e desafios pela frente
Entre os turistas internacionais, argentinos seguem liderando o ranking de chegadas ao Rio, seguidos por chilenos, norte-americanos, uruguaios e franceses, uma composição que reflete tanto a proximidade geográfica quanto o câmbio favorável para visitantes de países vizinhos. A expectativa do setor é manter essa trajetória de crescimento ao longo de 2026, ampliando a presença do destino em mercados estratégicos.
Apesar dos resultados positivos, especialistas do setor turístico apontam a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura, mobilidade urbana, segurança pública e qualificação profissional, fatores que, segundo eles, são determinantes para que o Rio consiga sustentar essa trajetória de crescimento sem comprometer a experiência de quem visita a cidade.
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