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Entenda a prisão da cúpula da Secretaria de Administração Penitenciária do RJ


Ex-secretário Raphael Montenegro e dois subordinados foram presos. Eles são acusados de negociar com chefes do Comando Vermelho a volta de traficantes para presídios fluminenses e regalias nas cadeias, em troca de influência nos locais dominados pelos criminosos. Operação da PF e MPF prende cúpula da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária do Rio
A Polícia Federal (PF) prendeu nesta terça-feira (17), a cúpula da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) do RJ.
O secretário Raphael Montenegro, e dois subsecretários — Wellington Nunes da Silva, da gestão operacional, e Sandro Farias Gimenes, superintendente, foram presos por suspeita de acordos de “trégua” com os chefes do Comando Vermelho, em troca de influência em comunidades e vantagens indevidas.
Um pedido de viagem feito em maio levantou as suspeitas sobre o trio, que passou a ser investigado por uma força-tarefa envolvendo a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e o Departamento Penitenciário Federal.
Escutas autorizadas pela Justiça registraram Montenegro negociando com vários líderes da facção, como Marcinho VP, FB, Claudinho da Mineira, Arafat e Marreta.
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Veja, abaixo, perguntas e respostas sobre o caso:
Quem foi preso na Operação Simonia?
Do que eles são acusados?
Por que a operação se chama Simonia?
Como a polícia chegou a Montenegro?
A visita foi autorizada ou negada?
O que Montenegro negociou?
O que a PF diz que Montenegro dava ou prometia aos criminosos?
O que Montenegro cobrava em troca?
Quem é Abelha?
Quem está à frente da Seap após a prisão de Montenegro?
O que disse o governador Cláudio Castro sobre as prisões?
1. Quem foi preso na Operação Simonia?
Foram presos Raphael Montenegro, secretário estadual de Administração Penitenciária (Seap) do RJ, e dois subsecretários — Wellington Nunes da Silva, da gestão operacional, e Sandro Farias Gimenes, superintendente.
Na casa de Montenegro, também foram apreendidos R$ 250 mil.
Polícia Federal encontrou dinheiro em espécie na casa de Montenegro
Polícia Federal/Divulgação
2. Do que eles são acusados?
Segundo as investigações, os três negociaram com chefes do Comando Vermelho a volta de traficantes para presídios fluminenses e regalias nas cadeias, em troca de influência nos locais dominados pelos criminosos.
A negociação incluía também a entrada de pessoas e itens proibidos em unidades prisionais fluminenses e a soltura irregular, em 27 de julho, de Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, de 50 anos, “um criminoso de altíssima periculosidade, contra quem havia mandados de prisão pendentes”.
3. Por que a operação se chama Simonia?
É uma referência a uma prática medieval em que detentores de cargos trocavam benefícios ilegítimos por vantagens espúrias.
Além da PF, a força-tarefa também contou com o Ministério Público Federal (MPF) e o Departamento Penitenciário Federal (Depen).
4. Como a polícia chegou a Montenegro?
Um pedido de visita em maio de Montenegro ao Presídio Federal de Catanduvas (PR) levantou suspeitas.
A justificativa era colher informações para um relatório técnico sobre a possibilidade de retorno detentos fluminenses ao RJ. Mas o fato foi apontado como incomum pela corregedoria da penitenciária e passou a ser investigado.
5. A visita foi autorizada ou negada?
A solicitação foi aceita, e a visita dos três presos foi marcada para os dias 26 e 27. A força-tarefa, no entanto, já tinha obtido na Justiça autorização para instalar escutas ambientais e registrar os encontros.
Raphael Montenegro foi gravado negociando com vários líderes do Comando Vermelho, como Marcinho VP, FB, Claudinho da Mineira, Arafat e Marreta.
6. O que Montenegro negociou?
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Segundo a polícia, Montenegro se comprometia em ajudar no retorno de criminosos a presídios do Rio, onde eles teriam mais facilidade para comandar atividades ilícitas.
Em troca, chefes da quadrilha dão trégua em algumas das atividades criminosas.
A Polícia Federal apura também indícios de corrupção.
7. O que a PF diz que Montenegro dava ou prometia aos criminosos?
Áudios da penitenciária de Catanduvas registram Montenegro prometendo modificar a produção de relatórios da Seap que auxiliam a justiça na manutenção da prisão de criminosos.
Além disso, ele também é suspeito de advocacia administrativa — ao orientar presos sobre como permanecerem no Rio caso fosse aceita a transferência — e associação ao tráfico de drogas — ao liberar Abelha, mesmo com o criminoso tendo um mandado de prisão.
8. O que Montenegro cobrava em troca?
Em troca, a cúpula do Comando Vermelho daria uma trégua em determinadas atividades criminosas — como a venda de drogas e contrabando. O objetivo seria fabricar uma falsa sensação de tranquilidade social.
A força-tarefa, no entanto, ainda tenta esclarecer qual seria o verdadeiro interesse da Seap.
“O que se percebe é uma clara associação criminosa com a qual o secretário, por razões ainda desconhecidas, assegura aos presos as condições para retomarem seus negócios ilícitos, reocupando posição de destaque dentro da organização criminosa”, diz o MPF.
9. Quem é Abelha?
Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, é o “presidente do Comando Vermelho” nas cadeias do Rio. Ele faz parte do conselho que decide tudo que acontece na facção.
Preso em 2020, ele foi apontado como um dos mandantes da invasão ao Complexo de São Carlos.
Mesmo com um mandado de prisão expedido à época, Abelha permaneceu no regime semiaberto — quando deveria ser transferido para uma prisão mais rígida.
No dia 14 de julho deste ano, o juiz Alexandre Abrahão, do 3º Tribunal do Júri, decretou uma nova prisão do traficante, pela morte de Ana Cristina Silva, de 26 anos.
Apesar disso, a Seap seguiu com os trâmites para libertá-lo.
No dia 26, quando o sistema acusava essa e outras pendências, a secretaria consultou a Delegacia de Polícia Interestadual (Polinter) sobre a soltura. Às 20h57, a especializada respondeu que havia aquele mandado de prisão e que, portanto, Abelha não deveria ser solto.
A defesa de Abelha, no entanto, apostou na estratégia de enganar a Justiça. Advogados foram ao Plantão Judiciário alegando que só havia um mandado de prisão, já recolhido, mas a juíza de plantão negou a soltura.
Mesmo assim, no dia 27, por volta das 8h, a Seap acabou soltando Abelha.
10. Quem está à frente da Seap após a prisão de Montenegro?
Montenegro e os dois subsecretários foram exonerados do cargos pelo governador Cláudio Castro (PL). O delegado da PF Victor Hugo Poubel foi nomeado para chefiar a Seap.
12. O que disse o governador Cláudio Castro sobre as prisões?
O governador do Rio de Janeiro se disse ainda “indignado” com a situação e reiterou que não existe acordo com criminosos.
“Ninguém negocia pelo governo. Se ele [o secretário] estava fazendo qualquer coisa era por vontade própria”.
Castro disse ainda que não tinha conhecimento das viagens do ex-secretário de Administração Penitenciária.

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