A decisão de expandir operações para fora do Brasil deixou de ser restrita a grandes corporações e passou a integrar o planejamento estratégico de empresas de médio porte e negócios familiares. Levantamento da Fundação Dom Cabral aponta que 68,9% das empresas brasileiras pesquisadas planejam entrar em novos mercados nos próximos dois anos, enquanto pesquisa da Endeavor mostra que 71% dos empreendedores do país já iniciaram, ou estão se preparando para iniciar, algum tipo de expansão internacional.
Para Renato de Castro Longo Furtado Vianna, empresário e investidor com histórico em negociações internacionais, esse movimento reflete uma mudança de mentalidade relevante: internacionalizar deixou de ser tratado como etapa final de uma trajetória de sucesso e passou a ser encarado como estratégia de diversificação, adotada inclusive por empresas ainda em fase de consolidação no mercado doméstico.
Estados Unidos concentram parte relevante do interesse recente
Entre os destinos mais procurados por empresários brasileiros está o mercado americano, que recebeu US$ 232,2 bilhões em investimento estrangeiro direto voltado à abertura, aquisição e expansão de empresas em 2025, alta de quase 50% em relação ao ano anterior. Dados recentes mostram que empresas de médio porte já representam a maior fatia entre companhias brasileiras que buscam estruturar operação nos Estados Unidos, superando tanto grandes corporações quanto micro e pequenos negócios nesse tipo de movimento.
Segundo Renato de Castro Longo Furtado Vianna, a internacionalização hoje exige planejamento que vai muito além da escolha de um visto ou da abertura de uma entidade jurídica no exterior: envolve estruturação tributária, societária e migratória tratada como projeto estratégico de longo prazo, não como decisão pontual e isolada.

Diversificação como resposta à volatilidade doméstica
Parte do interesse crescente por operações fora do Brasil está associada à busca por proteção contra a volatilidade econômica e regulatória do próprio país, um fator que analistas do setor associam diretamente ao aumento do número de empresas brasileiras estruturando presença internacional nos últimos anos. Renato de Castro Longo Furtado Vianna nota que essa lógica de diversificação de risco geográfico se aplica tanto a operações comerciais quanto a portfólios de investimento, já que ambos se beneficiam de menor exposição a um único ambiente regulatório e macroeconômico.
Esse tipo de estratégia, segundo ele, tende a ganhar ainda mais espaço entre empresários brasileiros nos próximos anos, à medida que mais negócios de médio porte percebem viabilidade real em processos de internacionalização antes restritos a grandes grupos com estrutura financeira robusta.
Um movimento que ainda está em expansão
O avanço simultâneo de diferentes indicadores, desde pesquisas com empreendedores até dados oficiais de investimento estrangeiro direto, sugere que a internacionalização de empresas brasileiras segue em trajetória de crescimento, e não como fenômeno pontual associado a um único ciclo econômico. Para Renato de Castro Longo Furtado Vianna, entender essa tendência com profundidade, incluindo os desafios regulatórios específicos de cada mercado de destino, é o que separa expansões internacionais bem-sucedidas de tentativas mal planejadas que acabam revertidas após poucos anos de operação.

