Um carro perde parte do valor assim que sai da concessionária, financiado ou não. O empresário Tiago Oliva Schietti explica que essa característica específica do veículo muda um pouco a comparação entre consórcio e financiamento, que costuma ser feita de forma genérica sem considerar essa particularidade do bem.
Nesse contexto, especialistas comentam que comparar consórcio e financiamento de veículo exige atenção a um detalhe que não pesa da mesma forma num consórcio de imóvel: o tempo de espera pela contemplação soma-se ao tempo de vida útil do carro, o que pode mudar o resultado final da conta.
O financiamento entrega o carro rápido, mas cobra por isso
No financiamento de veículo, a aprovação costuma ser mais rápida do que em outras modalidades de crédito, e o comprador sai da concessionária com o carro na mesma semana, em muitos casos. Esse imediatismo tem preço: os juros do financiamento de veículo costumam ser mais altos do que os de outras linhas de crédito, como o financiamento imobiliário.
Soma-se a isso o IOF cobrado sobre operações de crédito e, eventualmente, seguro exigido pelo banco enquanto o bem estiver alienado. O custo total pode ultrapassar bastante o valor anunciado na parcela, especialmente em contratos com prazos mais longos.
Isso não significa que o financiamento seja sempre a pior escolha. Para quem depende do veículo para trabalhar no dia seguinte à decisão de compra, o custo extra dos juros pode valer a pena diante da alternativa de ficar sem transporte por um período indefinido, esperando uma contemplação sem data certa.
O consórcio de veículo exige um cuidado que o de imóvel não tem
O consórcio de veículo não cobra juros, apenas taxa de administração, o que reduz o custo total em comparação ao financiamento. Tiago Oliva Schietti, contudo, frisa que existe uma variável que pesa mais aqui do que em consórcios de imóvel: o carro perde valor com o tempo, enquanto o imóvel tende a se valorizar ou, no mínimo, manter valor de mercado.

Se a contemplação demora anos para acontecer, o consorciado pode acabar recebendo uma carta de crédito atualizada, mas destinada a comprar um carro que já não é mais o modelo mais recente da categoria escolhida, ou que exigirá ajustes no que planejava adquirir originalmente.
Por isso, especialistas do setor costumam recomendar que o consórcio de veículo seja pensado para quem já tem um carro em uso enquanto aguarda a contemplação, tratando a compra futura como uma troca planejada, e não como a solução para uma necessidade imediata de transporte.
Como calcular qual opção realmente custa menos?
Comparar as duas modalidades para veículo exige somar, no financiamento, juros, IOF e eventuais tarifas ao valor total pago até a quitação. No consórcio, o cálculo soma taxa de administração, fundo de reserva e a correção da carta de crédito ao longo do prazo até a contemplação.
Tiago Oliva Schietti observa que essa conta, feita com atenção, costuma favorecer o consórcio em termos de custo total, mas o resultado muda bastante quando se soma o valor implícito de esperar pelo carro, algo mais sensível ao tempo do que a compra de um imóvel.
A escolha certa depende de quanto tempo você pode esperar
Quem precisa do veículo para trabalhar, ou não tem alternativa de transporte enquanto aguarda a contemplação, tende a se beneficiar mais do financiamento, apesar do custo mais alto. Já quem já tem outro meio de locomoção e pode aguardar sem pressa encontra no consórcio uma forma mais barata de trocar de carro.
Na concepção de Tiago Oliva Schietti, nenhuma das duas opções resolve todos os perfis de comprador da mesma forma, e ignorar essa diferença de urgência costuma ser o principal motivo de arrependimento em qualquer uma das escolhas.

