22.2 C
Canoas
HomeEconomiaRecorde no 1º semestre, demanda por crédito deve permanecer alta mesmo com...

Recorde no 1º semestre, demanda por crédito deve permanecer alta mesmo com aumento dos juros; entenda


Procura por empréstimos cresceu 26,2% nos 6 primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período de 2020, aponta Serasa; tendência é que avanço continue, mas com menos força. Movimentação intensa de consumidores na região da 25 de Março, centro popular de compras de São Paulo
Cris Faga/Estadão Conteúdo
A demanda dos consumidores por crédito no primeiro semestre deste ano cresceu 26,2%, em relação ao mesmo período de 2020, atingindo recorde histórico da série iniciada em 2008, aponta levantamento divulgado com exclusividade ao G1 pela Serasa Experian. Em 2020, ano em que a Covid-19 chegou ao Brasil, houve queda de 8,1%.
Para o segundo semestre, a expectativa de analistas é que a demanda por crédito continue alta, mas não tão forte como nos primeiros seis meses do ano. A inadimplência deve ser a principal barreira dessa evolução.
Financiamento imobiliário bate recorde em junho, diz Abecip
Lei do Superendividamento: saiba o que muda na vida do consumidor
Empréstimo consignado lidera ranking de reclamações; veja dicas para não cair em armadilhas
Percentual de famílias com dívidas chega a 70% e Brasil atinge o maior nível em 11 anos, aponta CNC
Segundo Luiz Rabi, economista da Serasa, o aumento na procura por crédito no primeiro semestre ocorreu pela melhora da confiança dos consumidores por conta do avanço da vacinação no país e, principalmente, da retomada de pagamentos do Auxílio Emergencial em 2021.
Os dados do próprio indicador corroboram a afirmação de Rabi. Consumidores com renda mensal de até R$ 500 impulsionaram a demanda por crédito, com alta de 34,3%. Em seguida, estão os que recebem de R$ 500 a R$ 1 mil, com avanço de 24,3%.
Demanda por crédito
G1
Outros fatores, contudo, jogam na posição contrária a esse otimismo. O país enfrenta uma forte inflação e deve ultrapassar o centro da meta, 3,75%. Em junho, o IPCA chegou a 8,35% em 12 meses — maior resultado desde setembro de 2016.
E, para conter a alta dos preços, a taxa de juros (atualmente em 4,25% ao ano) tem sido elevada e deve encarecer os custos do crédito. O Boletim Focus, do Banco Central projeta a Selic em 7% ao ano até o final de 2021 – e analistas esperam uma alta de 1 ponto percentual na taxa já na próxima semana.
O desemprego também prejudica o cenário, uma vez que reduz a quantidade de brasileiros economicamente ativos – que, de fato, podem pagar os empréstimos. No trimestre encerrado em abril, o desemprego ficou em 14,7% e se manteve em patamar recorde. Já o número de desempregados totalizou 14,8 milhões de pessoas.
“Emprego é uma das variáveis mais importantes para a oferta de crédito. O Auxílio Emergencial está dando uma atenuada nesse cenário”, disse Rabi, da Serasa.
Na avaliação de Isabela Tavares, economista da Tendências Consultoria, o consumo deve continuar a crescer no segundo semestre, mas deve ser acompanhado pelo aumento da inadimplência.
“Um dos pilares do crédito é que a demanda cresce pelo próprio cenário adverso. E ele deve ser um motor para o consumo das famílias. Para a atividade como um todo, é positivo”, afirmou a economista.
Panorama financeiro 2021
G1
O aumento da taxa básica de juros, segundo Isabela, não deve impactar na tomada de crédito dos consumidores ainda este ano, uma vez que a Selic ainda está em um patamar historicamente baixo.
“São níveis estimulantes perto do que a gente já teve. Para o crédito imobiliário, no entanto, será um limitante ao longo do segundo semestre porque os bancos já começaram a aumentar os juros”, acrescentou.
De acordo com Juliana Inhasz, coordenadora de economia do Insper, a percepção de que o Brasil poderia se recuperar rápido da crise no início do ano fez com que muitos brasileiros tomassem crédito para pagar contas e financiar itens de alto valor, como veículos.
O risco, alerta, é de um aumento da inadimplência, principalmente após o fim do pagamento do Auxílio Emergencial, previsto para outubro.
Segundo dados do BC, o índice já registrou duas altas consecutivas a partir de março, quando marcou 2,10%. Em abril, foi para 2,20%. Em maio, para 2,30%. Em junho, o percentual se manteve em 2,30% (confira infográfico acima).
Juliana acrescentou que, na prática, os juros e a inflação não dão o tom do crédito, mas sim o endividamento. Com mais risco de calote, ela explica que as instituições tendem a “fechar a torneira”, regulando a oferta de dinheiro aos consumidores.
“A economia não deslanchou como as pessoas imaginaram. E fica difícil acreditar que, com o desemprego atual, elas terão renda para pagar empréstimos. Por isso, os juros devem começar a crescer com um pouco mais de força a partir de agora”, afirmou.

- Advertisement -spot_img

Conecte

0FansLike
7FollowersFollow